TAP abre processo de inquérito aos dois responsáveis de recursos humanos que comentaram em vídeo contratações em Espanha (com áudio)

A TAP diz que as declarações do diretor de Recursos Humanos e do responsável de RH da Manutenção & Engenharia foram feitas a título pessoal. O processo de inquérito seguidos dos devidos procedimentos disciplinares acontece “dado o momento que a TAP vive, em que a todos nós são pedidos sacrifícios”, segundo a companhia aérea.

A TAP anunciou hoje que vai abrir um processo de inquérito aos dois responsáveis de recursos humanos que surgem em vídeo  a comentarem as contratações da companhia aérea em Espanha.

“Tendo tomado conhecimento de uma publicação nas redes sociais na qual intervêm, a título pessoal, dois trabalhadores da companhia, com responsabilidades na área dos recursos humanos e dado o momento que a TAP vive, em que a todos nós são pedidos sacrifícios, decidiu o conselho de administração abrir, de imediato, um processo de inquérito seguido dos procedimentos disciplinares aplicáveis a esta situação”, disse fonte oficial da TAP ao Jornal Económico.

“Neste momento delicado da vida da companhia, o Conselho de Administração expressa a sua solidariedade para com todos os trabalhadores da TAP e apela ao bom senso e recato de todos”, acrescenta a companhia aérea.

O diretor de Recursos Humanos da empresa, Pedro Ramos, e o diretor de recursos humanos da Manutenção & Engenharia, João Falcato, comentam num vídeo filmado na capital espanhola o dia de recrutamento que realizaram num momento em que a companhia enfrenta uma forte reestruturação da sua operação.

“Estamos em Madrid, eu e o meu colega e amigo, João Falcato. Já fizemos seleção de pessoas esta tarde”, começa por dizer o responsável que se encontra acompanhado por João Falcato, direito de recursos humanos da Manutenção & Engenharia.

“E como é selecionar pessoas neste contexto pandémico?”, questiona Pedro Ramos.

“Estamos a fazer avaliações, [os entrevistados] são muito mais abertos, estão muito mais à procura de oportunidades. Continuamos a encontrar gente de excelente qualidade, que acham que isto já passou [pandemia]”, responde João Falcato.

“Gente que não estaria disponível e que está disponível no mercado fruto da pandemia. Esperamos trazer para a TAP. Vamos conseguir contratar. Vamos selecionar os melhores”, acrescenta João Falcato.

O Jornal Económico também questionou o ministério das Infraestruturas sobre este vídeo e as contratações em Espanha num momento em que a companhia aérea tem vindo a reduzir a sua força de trabalho em Portugal, mas não obteve resposta até ao momento.

O Bloco de Esquerda já anunciou que vai questionar hoje o Governo sobre esta situação: “Não se pode aceitar um despedimento coletivo e depois anunciar recrutamentos com esta desfaçatez”, escreveu a deputada bloquista Isabel Pires nas redes sociais.

A TAP comunicou a 31 de maio que reduziu de 2.000 para 206 o número de trabalhadores que ainda têm de sair da empresa. Segundo a missiva interna citada pela Agência Lusa, as saídas tiveram lugar depois de implementados acordos de emergência e a adesão a medidas voluntárias.

A próxima ronda de rescisões voluntárias vai assim ficar-se nestes 206 trabalhadores. Se não aceitarem, a companhia aérea avança para o processo de despedimento coletivo em julho.

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“Nunca esquecerei a opção tomada pelo Governo, em representação do Estado, de salvar a TAP, e estarei sempre grato aos contribuintes que, com os seus recursos, numa altura particularmente difícil do País, viabilizaram a sobrevivência da TAP, permitindo trabalhar em prol de um futuro que, tenho toda a confiança nisso, tem todas as condições para ser risonho”, Miguel Frasquilho em carta aos colaboradores.

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Além de Frasquilho, saem também os não-executivos Bernardo Trindade, António Gomes de Menezes e Fátima Castanheira Geada. Ramiro Sequeira deixa de ser CEO interino, regressando ao cargo de COO. Mantém-se no ‘board’ Alexandra Reis como Chief Corporate Officer, enquanto a espanhola Sílvia Mosquera entra como Chief Commercial Officer.
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