TAP está a estudar a venda de até oito aviões Airbus

Esta medida pode-se juntar ao adiamento da entrega de 15 aviões pela Airbus, que vai permitir à TAP adiar um investimento de mil milhões de dólares.

A TAP está a estudar a venda de até oito aviões da Airbus. Esta possibilidade está em cima da mesa num momento em que a companhia prepara o seu plano de reestruturação para entregar em Bruxelas a 10 de dezembro.

“Relativamente à saída de aeronaves da frota, está em curso a possível venda de seis a 0ito aeronaves (6 A319 e 2 A320), estando também a ser estudada a devolução antecipada de aeronaves em regime de locação operacional e a potencial venda de aeronaves em regime de locação financeira”, anunciou a transportadora aérea.

A empresa vai arrancar com a operação comercial de apenas quatro novas aeronaves no segundo semestre deste ano: 2 A321neo LR, 1 A320neo e 1 A321neo).

Para o futuro, a TAP deixa em aberto se vai proceder à venda de mais aviões: “A evolução futura da frota será naturalmente um dos temas estruturantes do Plano de Reestruturação que se encontra em elaboração”.

A companhia aérea destaca a “elevada incerteza que ainda subsiste quanto à duração da pandemia COVID-19, e ao seu impacto de longo prazo no setor da aviação civil e na economia como um todo, impossibilita estimar com rigor e fiabilidade os efeitos futuros da pandemia na atividade e resultados da empresa”.

Olhando para o curto e médio prazo, a companhia aérea portuguesa aponta que os “efeitos da pandemia deverão continuar a ser significativos nos próximos trimestres, o que pode ser agravado em caso de novos surtos significativos do vírus e da imposição de novas restrições à mobilidade (até que uma vacina ou um tratamento eficaz esteja disponível) ou simplesmente pela incapacidade das economias recuperarem significativa e rapidamente das condições económicas adversas causadas pela pandemia até ao momento, nomeadamente em termos de emprego, rendimento disponível e níveis de confiança do consumidor”.

A TAP aponta que em termos de capacidade (ASK, lugares vezes quilómetros voados), a TAP operou a 12% e a 24% da capacidade dos meses homólogos de 2019, “denotando aumentos significativos de operação face à quase total paragem da atividade verificada nos meses anteriores”.

Ao mesmo tempo, a companhia aérea renegociou com a Airbus este ano a data de entrega de 27 novos aviões, o que vai permitir à companhia aérea portuguesa receber mais tarde as novas aeronaves.

Os novos aviões da transportadora aérea deveriam ser recebidos até 2025, mas com o novo calendário vão ser recebidos durante o espaço de mais dois anos, até 2027.

“Foi renegociada com a Airbus o diferimento das datas de entrega de 13 aeronaves A320neo de 2012-2022 para 2025-2027 e do diferimento da data de entrega dos A330neo de 2022 para 2024″, aponta a empresa.

A TAP aponta que o “acordo já alcançado com a Airbus” vai alterar os “contratos de aquisição de
aeronaves das famílias A320neo e A330neo”, o que vai permitir reduzir o CAPEX (investimento) em 2020-2022 no valor de cerca de mil milhões de dólares (856 milhões de euros) “por forma a alcançar um melhor alinhamento com o atual momento de mercado e as perspetivas para os próximos 18-24 meses”.

Nos A320neo, o acordo alcançado pela Airbus vai permitir diminuir o número de aeronaves a entregar em 2020, “adiando algumas entregas para 2021”. A empresa aponta também que o acordo “permitiu adiar a maioria das entregas originalmente previstas para 2021 e 2022 para o período entre 2025 e 2027”.

Já em relação aos A330neo, a TAP conseguiu o adiamento para 2024 das duas aeronaves “com entrega originalmente prevista para 2022, garantindo a TAP Air Portugal a possibilidade de troca destas aeronaves por outros modelos, a avaliar em função da retoma de mercado e necessidades da TAP Air Portugal na altura”.

TAP vai receber 447 milhões do empréstimo estatal até ao final de 2020

A TAP vai receber 450 milhões do empréstimo estatal até ao final de dezembro deste ano. Este valor representa o valor restante do empréstimo do Estado à companhia aérea no valor total de 946 milhões de euros e que pode atingir os 1.200 milhões se as condições financeiras da transportadora piorarem.

Até ao momento, foram pagos 499 milhões de euros pelo erário público à TAP: uma primeira tranche de 250 milhões a 17 de julho, uma segunda de 224 milhões a 31 de julho e uma terceira de 25 milhões a 31 de agosto.

As próximas quatro tranches serão agora pagas mensalmente: 30 de setembro, 30 de outubro, 30 de novembro e no final de dezembro, adiantou hoje a TAP, que sublinhou que o empréstimo está sujeito ao pagamento de juros, e “sujeito ao cumprimento de relevantes condições”, decorrentes do acordo alcançado com o Estado.

Apesar do Governo já ter dito que existem 254 milhões de euros de reserva para injetar na TAP, se necessário, a TAP esclareceu hoje que o “Estado português não está obrigado a tornar disponível esta verba”.

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