TAP: Leão alerta para complexidade do plano de reestruturação devido à incerteza provocada pela pandemia

Ministro das Finanças justifica que a incerteza sobre quanto tempo vai durar a pandemia irá afetar as necessidades de financiamento da TAP, mas garante que o plano de reestruturação da empresa estará pronto até ao início de dezembro, conforme pedido pela Comissão Europeia.

O ministro das Finanças, João Leão, salientou que o plano de reestruturação da TAP estará concluído até ao início de dezembro, conforme a data limite imposta pela Comissão Europeia, explicando que a incerteza em torno da pandemia levanta dúvidas sobre a duração da diminuição das viagens, com consequências para as necessidades de financiamento da companhia.

“Este ano, estimamos que vamos autorizar um empréstimo até 1.800 milhões de euros. Não é tudo por conta deste ano, o que vai permitir à empresa também financiar-se no início do ano que vem. Além disso, temos previsto, a título negativo, uma previsão de 500 milhões de euros não de empréstimo direto do Estado, mas o Estado dar uma garantia para que a TAP possa fazer um empréstimo no setor bancário”, explicou o governante durante uma audição no Parlamento sobre o Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), esta sexta-feira.

João Leão, que reforçou que a  “TAP está num dos setores mais atingidos pela pandemia”, explicou que “um plano de reestruturação não se faz num dia” e que “demora algum tempo a ser preparado”, em reposta às questões da Iniciativa Liberal e do PSD sobre o tema.

“Há duas grandes incertezas sobre o valor para a TAP. A primeira é a dimensão da pandemia: quanto tempo vai durar e isto afeta as necessidades de financiamento da TAP”, disse, vincando estar “em preparação” e “vai ser concluído até princípios de dezembro e submetido à Comissão Europeia o plano de reestruturação”, que irá identificar as alterações ao nível da estrutura da TAP, dos meios operacionais e financeiros e “permitir perceber quais são as necessidades de financiamento da TAP para que a empresa possa depois ultrapassada a pandemia ser uma empresa com capacidade de evoluir e crescer de forma autónoma”.

O ministro recordou que o Governo “decidiu intervir, apoiar e evitar a falência da empresa”, uma vez que “o gestor privado não estava em condições de assegurar o financiamento da TAP, teve que ser o Estado a assumir esse financiamento, porque o investidor privado por ele deixava a TAP ir à falência”.

O Governo estima que a garantia estatal de 500 milhões de euros para a TAP, cujo controlo acionista passou para as mãos do Estado, terá um impacto de 0,2% no défice no próximo ano, depois do impacto de 0,6% no défice estimado para este ano.

TAP apresenta plano de reestruturação em Bruxelas em novembro

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