Tecnológica brasileira CI&T prevê investir dois milhões de euros em dois anos e contratar 200

A CI&T tem presença na Ásia, mais concretamente China e Japão, e Estados Unidos, que foi o segundo mercado de aposta.

A CI&T entrou em Portugal em fevereiro com um plano de investimento de dois milhões de euros em dois anos e contratação de 200 pessoas. A Web Summit foi o ‘catalisador” da busca de talento português.

Quem o afirma é o cofundador e presidente da CI&T, Bruno Guicardi, que em entrevista à Lusa explicou que foi a presença na Web Summit que apresentou a tecnológica ao “talento português”.

A Web Summit “foi o catalisador, apresentou-nos uma comunidade de tecnologia que não conhecíamos e um lugar [Lisboa] para estabelecer que nunca estaria na cabeça”, explicou o responsável.

“Vimos também um Governo empenhado, o que para nós fez a diferença. Olhámos outros lugares: Barcelona, Torino e outras cidades da Europa e o que fez a diferença foram as qualidades intrínsecas, o que a Web Summit fez foi colocar Lisboa na ‘short-list’ para ser olhado”, acrescentou Bruno Guicardi.

E depois houve o Tech Visa, que “foi instrumental na nossa decisão”, salientou o gestor.

Criada em 1995, com a visão de “ajudar as empresas a entender o que é que a Internet trazia de potencial para os seus negócios e ajudar a aproveitar essas oportunidades”, a CI&T ajuda as empresas na sua estratégia digital e implementação, explicou.

Entre os seus principais clientes estão a banca, seguros, bens de consumo, media e telecomunicações, “indústrias que têm milhões de clientes”, explicou.

A CI&T tem presença na Ásia, mais concretamente China e Japão, e Estados Unidos, que foi o segundo mercado de aposta.

Com a entrada em Portugal, que acontece entre fevereiro e março, mesmo no início da pandemia de covid-19, o objetivo é agora apostar na região europeia, depois de já ter presença no Reino Unido.

“Em Portugal, a operação é ‘nearhore'”, funcionamento em remoto, aproveitando o mesmo fuso horário.

A entrada da empresa em Portugal tem “a visão de ser um provedor de serviços, prestar serviços para o resto da Europa”, explicou o cofundador e presidente da tecnológica brasileira.

Em Portugal “estamos atrás dos talentos, não atrás dos clientes. Claro que achamos que vai ser natural [ter clientes no mercado português] quando estivermos estabelecidos, neste primeiro momento é o mercado de talentos que estamos à procura”, salientou Bruno Guicardi.

A pandemia veio a atrasar o plano de contratações e investimento da CT&T em Portugal.

Atualmente, “temos cerca de 40 pessoas, tínhamos um plano mais agressivo, mas a pandemia teve uma pequena interferência”, comentou.

Mas a “ideia é chegarmos em dois anos a 200 pessoas”, referiu.

A subsidiária portuguesa “está a servir a Europa”, nomeadamente Reino Unido, Espanha e Alemanha.

Sobre o investimento, de dois milhões de euros numa primeira fase, deverá levar “um pouco mais” dos dois anos previstos, devido à situação pandémica, ou seja, até 2022, quando anteriormente estava em 2021.

Questionado sobre o tipo de talento de a tecnológica procura em Portugal, Bruno Guicardi apontou ‘designers’ para a área do digital e ‘software developers’ [desenvolvedores de ‘software’].

Sobre a razão de investir este ano em Portugal, o presidente da CI&T explicou que isso veio “na esteira de outra decisão”, de investir no desenvolvimento do negócio na Europa.

“Abrimos a operação na Europa há cinco anos”, na sequência de negócios fechados com clientes norte-americanos – como a Johnson & Johnso, Pfizer, Coca Cola, entre outros, e japoneses – entre os quais a Konica Minolta – na Europa, prosseguiu.

Estes eram contratos fechados noutros lugares que precisavam de suporte na Europa, sendo que na altura a operação europeia da CI&T era de “entrega, não tinha capacidade de vender”.

Entretanto, “decidimos acelerar essa operação, começar a fazer desenvolvimento e ir atrás de clientes europeus”, acrescentou.

“Estamos muito contentes, estamos a gostar do talento, que foi a motivação para vir para Portugal, a qualidade de pessoas, acho que tomámos a correção correta”, apontou.

Em termos de receitas, o presidente explicou que a empresa fatura na Europa como um todo, sendo que ainda estão a dar os primeiros passos nesta região.

“É a região mais jovem [do grupo], com uma faturação de menos de 5%. Esperamos dobrar de ano para ano para ser relevante”.

O presidente da tecnológica pretende que a “operação europeia” seja “um ‘driver’ [motor] de crescimento da CI&T”.

“Quero ver a Europa crescer no ano que vem, 60%, 70%” ou até “100%”, disse, apesar da crise económica na região.

“Mas, na crise há sempre oportunidade de empresas que vão ter de achar maneira de fazer coisas, a tecnologia é uma maneira de encontrar formas inteligentes de serviços para os clientes e de ferramentas melhores”, rematou.

A CI&T vai marcar presença na edição da Web Summit deste ano – totalmente digital e que arranca em 02 de dezembro -, com Bruno Guicardi a participar numa ‘masterclass’ sobre reinvenção do modelo operacional para a inovação digital, e numa mesa redonda sobre “Agile for impact and not appearence”.

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