Telefónica negoceia acordo com TIM e Claro para comprar ativos da Oi

A Oi, cuja parte do capital é detida pela portuguesa Pharol, está sob um processo judicial de recuperação financeira tendo em conta a elevada dívida da operadora brasileira. Autoridades brasileiras vê com bons olhos a entrada em cena da Telefónica.

A espanhola Telefónica procura parceiros para adquirir ativos da Oi, a quarta maior telecom brasileira, e por isso está a negociar um acordo com a TIM e a Claro, de acordo com o “Expansión”. O objetivo de um possível pacto entre estas empresas de telecomunicações passa por comprar ativos da Oi em conjunto e, posteriormente, reparti-los.

Embora o possível acordo da empresa espanhola com a subsidiária da Telecom Itália e com a empresa de Carlos Slim (a Claro é detida pela América Móvil, telecom do magnata mexicano), o negócio poderá encontrar alguns obstáculos, uma vez que todas as empresas competem entre si no mercado brasileiro. Contudo, o facto de a italiana TIM estar a passar por alguma instabilidade governativa, com o fundo norte-americano Elliot e a francesa Vivendi a disputar o controlo acionista, poderá dar uma ajuda à Telefónica.

A Oi, cuja parte do capital é detida pela portuguesa Pharol, está sob um processo judicial de recuperação financeira tendo em conta a elevada dívida da operadora brasileira.

Segundo o “Expansión”, a Oi perdeu cerca de 1,1 milhões de euros entre abril e junho deste ano, um valor muito mais elevado do que os cerca de 280 mil euros perdidos em igual período de 2018, com uma queda de 22% nos resultados operacionais. Em apenas um ano, a dívida da empresa cresceu 25%.

Há pouco mais de três anos, a empresa brasileira anunciou o início de um processo de recuperação judicial para reestruturação da dívida de aproximadamente 65 mil milhões de reais (cerca de 14,6 mil milhões de euros). Com a possível entrada de cena da Telefónica, a situação da empresa poderá colocar a Oi numa situação mais favorável, apesar do futuro negócio contemplar apenas a venda dos ativos de comunicações móveis da Oi.

O governo brasileiro receia as consequências de um eventual colapso da Oi, que poderia vir a afetar mais de 40 milhões de clientes (37,5 milhões de clientes da operação móvel; 5,7 milhões de subscritores do serviço de internet por banda larga fixa; e 1,55 milhões assinantes do serviço de Pay Tv).

Por que razão ficaria a Oi numa situação mais favorável com o sucesso das intenções da Telefónica? De acordo com jornal brasileiro “Folha de São Paulo”, a receita proveniente do possível negócio seria utilizada para reforçar a presença da Oi no mercado como principal fornecedora da infraestrutura de fibra ótica no Brasil – cerca de 360 mil quilómetros de extensão de cabos de fibra ótica são controlados pela Oi, sendo essa rede utilizada por outras operadoras.

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