Telefónica reduz lucros em mais de 50% até setembro

A operadora espanhola é apontada como principal interessada na compra de ativos da quarta maior telecom brasileira, a Oi. No início de outubro, o jornal “Expansión” noticiou que a Telefónica estava a negociar um acordo com a TIM e a Claro para comprar ativos da Oi em conjunto e, posteriormente, reparti-los.

Presidente executivo da Telefónica, José María Álvarez-Pallete

A empresa de telecomunicações espanhola Telefónica, que está interessada em adquirir a brasileira Oi, reduziu o seu lucro em 50,6%, para 1,34 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do anos, devido aos impactos negativos dos custos de reestruturação laboral ocorridos em Espanha.

De acordo com o “El Economista“, sem efeitos extraordinários, a redução nos ganhos é de 4,8% em termos orgânicos, até setembro, para 2,58 mil milhões, face aos 2,72 mil milhões registados em setembro de 2018.

Por isso, o resultado no final do terceiro trimestre do ano mostra perdas de 443 milhões de euros devido à provisão nas despesas com redução de pessoal. Um resultado que seria de 806 milhões sem entradas extraordinárias.

Relativamente às receitas, a Telefónica de 11,90 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2019, valor que corresponde a um aumento de 1,7 face a igual período de 2018. As receitas ficaram abaixo do calculado (11,94 mil milhões de euros) pelos analistas que acompanham a empresa liderada por José María Álvarez-Pallete.

A operadora justifica o resultado com o crescimento em todos os mercados onde detém operações, sobretudo pelo crescimento de 1% em Espanha, de 4,1% no Reino Unido, de 1,9% na Alemanha e de 2,6% no Brasil.

Relativamente ao OIBDA (resultado operacional antes de depreciações e amortizações), a Telefónica registou uma quebra de 31,9%, para 2,75 mil milhões de euros, entre julho e setembro. O valor também fica abaixo do esperado pelo consensus de analistas, concretamente de 3,15 mil milhões de euros. A margem do OIBDA registada foi de 23,1%. Já o Oibda subjacente apurada foi de 4,24 mil milhões, após serem excluídas despesas de reestruturação.

No final do terceiro trimestre, a Telefónica registou um investimento total de 3,27 mil milhões de euros.

Relativamente à dívida liquida, no final de setembro a operadora de telecomunicações contava com uma dívida de 38,2 mil milhões de euros, um valor que corresponde a um crescimento de 8,1% face a igual período de 2018. Comparando a dívida líquida face ao OIBDA, verifica-se uma evolução de 2,62 vezes no início de 2019, para 2,49 vezes no final de setembro.

Estes resultados reitaram os targets e dividendos para 2019, segundo o Mtrade do Millennium BCP, Ramiro Loureiro, quando a operadora espanhola é apontada como principal interessada na compra de ativos da quarta maior telecom brasielira, a Oi.

No início de outubro, o jornal “Expansión” noticiou que a Telefónica estava a negociar um acordo com a TIM e a Claro para comprar ativos da Oi em conjunto e, posteriormente, reparti-los. Contudo, a operação poderá encontrar alguns obstáculos, uma vez que todas as empresas competem entre si no mercado brasileiro.

Atualmente a Oi, cuja parte do capital é detida pela portuguesa Pharol, está sob um processo judicial de recuperação financeira tendo em conta a elevada dívida da operadora brasileira, que em apenas um anocresceu 25%.

Telefónica negoceia acordo com TIM e Claro para comprar ativos da Oi

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