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“Temos medo de falar de dinheiro”: Portugal é penúltimo na literacia financeira

Rui Costa, administrador no Doutor Finanças, salienta no Seguros Summit 2025, evento do JE, que a sociedade global tem falta de conhecimento para crescer e tomar decisões, que impactam o futuro. “83% dos jovens a nível europeu não pensa em seguros de forma transversal”, refere. Vice-presidente da GamaLife sublinha que a literacia financeira é um dever de todos e não só das seguradoras.
4 Novembro 2025, 13h26

É uma conclusão “aterradora” e que deve fazer soar os alarmes de todos os players do setor financeiro. Portugal ocupa o penúltimo lugar da União Europeia (UE) dos países com menor literacia financeira. “Atrás de nós só a Roménia e não é por muito. As pessoas têm medo de falar de dinheiro, dos problemas que têm casa sobre dinheiro. Não falam com os filhos sobre poupança e investimentos”, referiu Rui Costa, administrador no Doutor Finanças, no painel ‘Desafio da literacia financeira. Saber e agir’, inserido no ‘Seguros Summit 2025’, organizado pelo Jornal Económico e que decorre no Altis Belém, esta terça-feira.

Para o administrador a sociedade global tem atualmente uma falta de conhecimento para crescer e tomar decisões, a começar pelas gerações mais novas. “São essas decisões que impactam o futuro. 83% dos jovens a nível europeu não pensa em seguros de forma transversal”, sublinhou.

Rui Costa realçou que os seguros de vida são dos melhores produtos que as pessoas podem contratar, mas são os que menos contratam, dando o exemplo da habitação.

“Quando estamos a comprar uma casa, estamos a proteger cimento. Mas se me acontecer alguma coisa, a minha esposa não come cimento, mas perde 50% da rentabilidade financeira lá em casa. As pessoas têm de olhar para o dinheiro como uma ferramenta para investir a longo prazo”, salientou.

Presente neste painel esteve Gonçalo Castro Pereira, vice-presidente da GamaLife e presidente da CASA, que abordou o ponto de vista da literacia de risco, que no seu entender tem a ver com proteger a vida ativa e perceber a importância de saber poupar, por exemplo, para a velhice.

“Se quero ter uma reforma melhor, se calhar nos primeiros tempos tenho de correr um risco maior. Do ponto de vista da poupança para a velhice é importante explicar a importância do que é ter um PPR [Plano Poupança Reforma]”, afirmou.

No entanto, o responsável enfatizou que os portugueses são principalmente aforradores e não investidores, mas depois dizem que têm muito pouco. “É natural, se pensam mais em poupar do que investir”, referiu, acrescentando que tudo isto é uma questão geracional, e que por isso deve começar-se pelos mais novos.

“Demora tempo a chegar lá, mas tem de se começar por algum lado, como nas escolas. É importante que as crianças percebam cada vez mais cedo porque há seguros e a sua importância. A literacia financeira é um dever de todos, não só das seguradoras”, sublinhou.


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