Temos visão e plano, falta o resto… os 99,99%

O desafio está em que a “espinha dorsal” do documento não perca a “coluna vertebral”, perante as pressões, desvirtuando o que de bom e bem feito está escrito nesta “visão estratégica”.

A 5 de julho foi divulgada a proposta da “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030”, formalmente apresentado dia 21 de julho. Este é um documento base importante para a discussão e alinhamento fundamental para o país, uma vez que evidencia claramente a situação atual e de onde vimos. De uma forma simples, mas honesta, tal como dá orientações de temáticas cruciais para o futuro do país.

Li-o e vejo nele um documento de estratégia para o país apartidário, o que já de si é positivo. Ao contrário do que ouvi nalguns comentários, este documento não é um programa de governo, mas é antes um programa de estratégia nacional efetivo de médio e longo prazo. O que resultar dele é que será político!

E vejo este próximo passo com alguma preocupação, tendo em conta logo a primeira das premissas inscritas no documento: “colocar as empresas no centro da recuperação da economia, transformando-as no motor real do crescimento e da criação de riqueza”.

Outra premissa que muda muito (bem) o statu quo de pensamento político e fiscal, assim como na definição do que lhe está subjacente: “apoiar a tesouraria das empresas viáveis economicamente”.

Estes são dois pequenos exemplos, de muitos, do que é a identificação clara e simples dos sintomas que têm colocado Portugal em posições frágeis ao longo de décadas e que se têm agudizado em tempos de crise, como aquela que estamos agora a iniciar.

Por isso, o que se passará a seguir com esta proposta é que contará.

Direi que temos visão e plano para Portugal, falta tudo o resto. Em particular, a estruturação de um Plano de Ações que sistematizem em detalhe “o quê”, “o quem”, “o como” e “o quando” se realizarão.

É aqui que a coragem política e de gestão de quem lidera fará a diferença. Naturalmente existirão negociações políticas, empresariais, entre outros equilíbrios que terão de ser realizados. O desafio está em que a “espinha dorsal” do documento não perca a “coluna vertebral”, perante as pressões, desvirtuando tudo o que de bom e bem feito está escrito no documento.

Este próximo passo será essencial para o possível sucesso da “Recuperação Económica e Social de Portugal”. Muito se falará, muito se discutirá, muitos quererão debater ad aeternum, mas já não há muito tempo. Quanto mais se prolongar a agonia e indefinição estratégica, pior a economia e o país ficarão! Independentemente do reforço dos fundos europeus.

Com fundos pode fazer-se mais em menos tempo, sem eles menos em mais tempo, mas é crucial que haja decisões, e um consenso político mínimo base que garanta as linhas estratégicas do que será Portugal em 2030. Já não falta tudo. Começámos bem. Já só falta o resto… O resto é “fazer” os 99,99% do que está escrito!

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