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Tempestades: Seguradoras já registaram 115 mil sinistros e indemnizações podem superar os 500 milhões

A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) revela que o “comboio de tempestades” que assolou o país entre janeiro e fevereiro já mobilizou 360 milhões de euros em pagamentos e provisões. O distrito de Leiria foi o mais atingido.
18 Fevereiro 2026, 15h59

A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) revela que o “comboio de tempestades” que assolou o país entre janeiro e fevereiro deixou um rasto de destruição que se reflete agora nos números do setor segurador.

Segundo o balanço provisório da APS foram registadas até ao momento mais de 115 mil participações de sinistros, estimando-se que o valor total de danos indemnizáveis venha a ultrapassar a barreira dos 500 milhões de euros.

Até à data, o setor já mobilizou 360 milhões de euros (entre valores pagos e provisionados). O dia 2 de fevereiro foi o ponto crítico desta crise, registando-se um pico de 11 mil participações num único dia, mais do dobro da média diária de 5.000 participações verificada neste período.

O impacto nas casas dos portugueses representa a fatia maior do volume de participações, enquanto a recuperação da atividade económica absorve uma parte substancial do capital de indemnização.

Por segmentos, as habitações justificam 90 mil sinistros (170 milhões de euros em custos); as atividades comerciais e industriais são responsáveis por 11 mil sinistros (150 milhões de euros em custos); e os danos no setor automóvel explicam 9 mil sinistros (24 milhões de euros em custos).

Geograficamente, o distrito de Leiria destaca-se como a zona mais afetada, concentrando mais de 50 mil sinistros. Seguem-se os distritos de Santarém, Lisboa e Coimbra, todos com volumes de participação situados entre os 12 e os 13 mil casos.

Segundo a associação liderada por José Galamba de Oliveira, apesar da elevada pressão, o processo de regularização está a decorrer de forma célere. Mais de 80% do total de sinistros encontra-se em fase adiantada de resolução ou já encerrado. Quando analisados apenas os processos com mais de 15 dias, a taxa de regularização sobe para os 88%, sendo que 29% destes já viram as indemnizações pagas, total ou parcialmente, revela a APS.

A APS aproveitou este balanço para reiterar a preocupação com o “défice de proteção” em Portugal, notando que muitos danos não estão cobertos por falta de seguro, o que atrasa a recuperação das famílias e empresas.

A associação apela ainda ao Governo para que a criação de um sistema integrado de proteção em caso de catástrofe natural não caia no esquecimento após a saída do tema do espaço mediático.


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