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Têxteis: redução da procura global determina queda das exportações entre 5% e 7%

Fatores exógenos ao próprio setor determinaram uma queda do consumo interno, mas também na Europa, em 2025. Ricardo Silva, presidente da ATP, insiste: o que se espera do Governo é que “promova a produção nacional no exterior”, de forma permanente e não apenas pontual.
28 Janeiro 2026, 07h10

Uma redução global da procura – que se faz sentir tanto no mercado interno como de uma forma geral em tordos os mercados de exportação – vai influenciar negativamente as exportações nacionais do sector têxtil, “que deverão cair entre os 5% e os 7%”, adiantou ao JE o presidente da Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal (ATP), Ricardo Silva. O fenómeno afeta especialmente a Europa, para onde se dirige parte substancial das exportações nacionais do setor, o que não pode deixar de ter impacto negativo na evolução dos negócios em 2025. As exportações têxteis atingiram os 5,58 mil milhões de euros, pelo que, em 2025, deverão ficar em valores próximos dos 5,2 mil milhões.

Refira-se que os valores de 2024 compreendiam também uma variação negativa de 5% face a 2023 – mas o certo é que, ao longo de 2025, as exportações nacionais mostraram uma resiliência bem mais sólida que a de alguma concorrência. A redução do consumo deu-se globalmente em todos os mercados e as razões são, para Ricardo Silva, evidentes: “o aumento das taxas de juro deixou os consumidores com menos dinheiro, a inflação foi responsável por um aumento sensível dos preços” e a incerteza que rodeia toda a economia como resultado das guerras e do crescimento dos confrontos geopolíticos não podiam ditar outro desfecho que não este.

O abrandamento da compra determinou, por outro lado, “uma pausa nas decisões de compras” das grandes empresas de retalho. Apesar de tudo, salienta, o presidente da ATP, “são tudo fatores exógenos” ao próprio setor, o que quer dizer que a capacidade de resposta se mantém, contribuindo para uma resiliência que importa manter.

Tal como sucedeu em vários outros setores, o consumo têxtil manteve-se em linha com o ano anterior até agosto-setembro de 2025 – ou seja, houve um impacto claro com a introdução de tarifas à exportação para os Estados Unidos.

Outro fator que contribuiu negativamente para as receitas do setor têxtil nacional foi a importância que em determinada altura assumiu a compra por via das grandes plataformas asiáticas, onde se concentrou o consumo de ‘fast fashion’. Neste particular, assumiu grande relevo o facto de a União Europeia – assim como os Estados Unidos imediatamente antes – terem decidido taxar a entrada das pequenas encomendas no mercado comum, medida largamente aplaudida pelos setores mais expostos ao comércio.

Ao contrário do que tem sucedido com outros setores de atividade, os têxteis não vão exigir mais nada senão “que o governo aposte na promoção da produção nacional nos mercados internacionais. “O Ministério da Economia, a AICEP, o IAPMEI, o COMPETE”, devem ser convocados para aumentarem a aposta na promoção do ‘made in Portugal’. Para Ricardo Silva, este é o contributo mais precioso que o Governo pode fornecer ao setor.

“A promoção da imagem de Portugal deve ser independente dos setores” e, nesse quadro, patrocinada de forma permanente e não apenas pontual pelo Governo, referira já antes Ricardo Sila. “Já existe alguma produção da internacionalização e das exportações, mas é preciso que essa promoção seja permanente, que seja continuada no tempo”, disse.


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