O centro de dados de Sines vai receber chips da Nvidia para um projeto da Microsoft, as duas cotadas de Wall Street contam com um valor combinado de 8,3 biliões de dólares (isso mesmo, biliões).
Esta é a maior instalação já feita da nova geração de chips de IA da Nvidia em Portugal: são 12.600 unidades de processamento gráfico – Blackwell Ultra GB300. Estes chips serem para acelerar o uso de aplicações de IA, mas continuam a ser usados para videojogos, produção de vídeos ou realidade virtual.
“Todos estão a falar de Portugal, do que eu tenho ouvido dos clientes americanos e até dos nossos concorrentes dos EUA. No último ano, houve uma grande procura para construir todos estes grandes centros de dados de IA nos EUA porque era rápido, relativamente barato e havia energia. Agora vemos que já não há energia disponível. Estão a ter muitas restrições e procuraram medidas temporárias como grandes turbinas de gás para resolver o problema no curto prazo, mas que se tornaram muito caras”, acrescentou o gestor.
“Agora há muitos projetos e estão a pensar ‘não conseguimos fazer’ e estão a procurar por outros países e estão todos a olhar para a Europa e para Portugal por causa dos preços baixos, porque conseguimos desenvolver este campus rapidamente, porque tudo o que tinham planeado para os EUA conseguem fazer aqui. Há muito interesse em Portugal neste momento. Ajuda muito que Portugal tem os cabos submarinos que fazem a ligação direta aos EUA”, acrescentou o gestor em entrevista ao Jornal Económico na sede da empresa em Lisboa.
“Está a ter lugar a febre da IA. Somos parte desta vaga. Os nossos clientes estão a bater à porta para tentar que o edifício esteja concluído no espaço de 24 meses. É um desafio dado o tamanho do projeto. Já temos todos os empreiteiros contratados e o equipamento”, explica.
Questionado se o acordo com a Nscale/Nvidia/Microsoft implica exclusividade, o gestor responde que as portas estão abertas a todo o setor. “Os contratos para o primeiro edifício já estão a decorrer. Nos novos edifícios estamos a falar com todas as companhias tecnológicas globais. Gostamos deles como parceiros e podemos continuar a trabalhar com eles, mas há muito apetite pelas novas fases. Estamos em discussões neste momento com muitos deles para saber quem quer estar no novo edifício”.
Um estudo feito pela Copenhagen Economics concluiu que o setor dos centros de dados pode contribuir com até 26 mil milhões de euros para o PIB nacional e apoiar cerca de 50 mil empregos até 2030.
Do valor total, cerca de 9,2 mil milhões são de efeitos diretos e 8,6 mil milhões indiretos, com 8,4 mil milhões a serem induzidos através do desenvolvimento do setor, de acordo com o estudo feito para a Start Campus e divulgado este ano.
Em termos de postos de trabalho, poderá atingir 50 mil novos postos de trabalho a tempo inteiro, entre empregos diretos, indiretos e induzidos.
Sobre as restrições às compras de chips da Nvidia que os EUA queriam impor, a medida foi cancelada já não havendo impactos para Portugal. “Os clientes não vão sofrer restrições, os chips estão a chegar”.
Em relação às tensões geopolíticas, Robert Dunn considera que a empresa tem estado a passar ao lado das mesmas. “Não estamos a sentir as tensões. A relação EUA-Portugal continua forte. Quando os clientes americanos olham para fora do país, Portugal surge naturalmente”.
O setor dos centros de dados “está muito forte em Portugal”, defende. O acordo com a Nvidia e a Microsoft “prova que Portugal é uma boa casa para investimentos de IA na Europa e na UE. Quando falamos de soberania de dados, Portugal parece o lugar perfeito para estar, não só por causa dos preços baixos e das energias renováveis, mas também devido à sua localização geográfica no Atlântico com todos os cabos submarinos a virem de outros continentes. Está bem localizado para ser um grande centro de dados na UE e na Europa”.
Com as tensões entre o ocidente e grandes potências como a China, a questão da soberania de dados vai ser importante? “Já é. Tem sido um tema de conversa no último ano, mas agora estamos a ver decisões reais para ajudar empresas e governos para ajudarem a tomar decisões para proteger a sua soberania. Os investimentos estão a acontecer. As pessoas estão a acordar para isto”.
A Start Campus está envolvida no consórcio para a gigafábrica de IA? “Sabemos que Sines está a ser avançado como potencial localização. Esperamos que o consórcio fale connosco a dado momento, mas ainda não há uma relação direta”.
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