Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta semana

A última semana de julho está carregada de resultados das cotadas na Europa e nos Estados Unidos. Nos dois lados do Atlântico há também as estimativas rápidas das contrações macroeconómicas do segundo trimestre, que devão ser as maiores de sempre. Da reunião da Fed, esperam-se mais mensagens do que decisões.

EPA/JIM LO SCALZO

Segunda-feira, 27 de julho

Evento em destaque: Galp apresenta resultados do segundo trimestre

A petrolífera deverá divulgar os piores resultados trimestrais em vários anos, penalizados pela queda da procura e do preço de petróleo. Segundo o consenso de 24 analistas, a empresa liderada por Carlos Gomes da Silva é vista a registar um prejuízo de 59 milhões de euros no segundo trimestre com o impacto negativo da pandemia global da Covid-19 no mercado petrolífero a penalizar tanto o negócio de produção como o de refinação da petrolífera portuguesa.

O EBITDA – resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização – terá caído para 274 milhões de euros entre abril e junho deste ano, o que representaria um tombo de 55,4% face aos 615 milhões de euros registados no período homólogo de 2019.  Os números são ajustados para corrigir os efeitos de stock (RCA).

Outros eventos em foco:

  • INE divulga Procura Turística dos Residentes no primeiro trimestre
  • Alemanha: IFO business climate de julho
  • Resultados: Ryanair (Irlanda), Michelin (França), SAP (Alemanha), LVMH (França)
  • DGO: Síntese de Execução Orçamental

Terça-feira, 28 de julho

Evento em destaque: BCP divulga resultados do segundo trimestre

A semana é de resultados da banca, com o BCP a dar o tiro de partida na terça-feira, seguido do Santander Totta no dia na quinta-feira e do CaixaBank BPI e da Caixa Geral de Depósitos na sexta-feira. O setor financeiro tem sido um dos mais afectados pela pandemia e já obrigou inclusive ao cancelamento de dividendos. No primeiro trimestre estes quatro bancos registaram menos 220 milhões de lucros no comparando com igual período do ano passado. Tendo em conta que o segundo trimestre foi mais afectado pelo confinamento, as contas deverão ter-se agravado ainda mais.

Outros eventos em foco:

  • Banco Central Europeu publica balanços das instituições monetárias
  • Resultados PSI 20 : Sonae Capital, The Navigator Company
  • Resultados: Xerox (EUA, Ebay, MacDonald’s), Bankia, Enagas e Endesa (Espanha), Carrefour, Peugeot e Kering (França)
  • Espanha divulga desemprego no segundo trimestre

Quarta-feira, 29 de julho

Evento em destaque: Reunião da Reserva Federal

A reunião de dois dias do Federal Open Market Comittee da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos deverá terminar sem grandes novidades, após o banco central ter nos últimos meses implementado dezenas de medidas de estímulo para acalmar os mercados. Um motivo de interesse reside, no entanto, no tom que Jerome Powell irá adoptar no comunicado e na conferência de imprensa, nomeadamente na questão do outlook económico e no que a Fed está pronta para fazer caso seja necessário introduzir mais medidas.

Por outro lado, os investidores e analistas irão estar atentos ao que Powell poderá dizer sobre o forward guidance, ou seja, se a Fed estará disposta a tornar-se tolerante à possibilidade de a inflação ultrapassar a meta de 2%, tornando a política mais dependente de dados e sinalizar que não prevê qual ‘apertar’ das condições de financiamento (incluindo aumentos de taxas de juro), antes de ultrapassar esse patamar.

Outros eventos em foco:

  • INE divulga Estimativas Mensais de emprego e desemprego e Índice de Volume de Negócios, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas no Comércio a Retalho, ambos de junho
  • Jerónimo Martins, Santander Totta e REN-Redes Energéticas Nacionais apresentam resultados do segundo trimestre
  • Resultados: Euronext (Holanda), Puma e BASF (Alemanha), Barclays, GSK, Rio Tinto (Reino Unido) Fortune Brands, Boeing, Qualcomm, Facebook (EUA)

Quinta-feira, 30 de julho

Evento em destaque: PIB dos EUA no segundo trimestre

Quando os dados do Produto Interno Bruto dos EUA no segundo trimestre forem anunciados constituirão a maior contração de sempre. O confinamento e a quebra atividade estiveram no pico em abril e maio e, apesar de uma recuperação em junho, deverão ter provocado uma contração de 34% na maior economia do mundo, segundo o consenso dos analistas consultadores pela Bloomberg.

Outros eventos em foco:

  • EUA: novos pedidos de subsídio de desemprego na semana que terminou a 25 de julho
  • Alemanha: PIB do segundo trimestre
  • Zona euro: desemprego em junho
  • Zona euro: confiança dos consumidores e clima económico em julho
  • Resultados: Renault, Vivendi , Danone, Airbus e Total (França), Merlin, Melia, Ferrovial e Telefonica (Espanha), Standard Chartered, Anglo-American e Astra-Zaneca (Reino Unido), Expedia, Ford, Kraft, ConocoPhilips, Apple, Amazon, Alphabet (EUA)

Sexta-feira, 31 de julho

Evento em destaque: PIB da zona euro no segundo trimestre

Depois dos Estados Unidos, é a vez de os números do PIB na zona euro. Tal como no outro lado do Atlântico deverá ser a maior contração de sempre, com os consenso dos analistas a apontar para um recuo de 12%. Na ausência de uma surpresa negativa, a reação nos mercados deverá ser limitadas, com o foco dos investidores neste momento virado para a recuperação e o papel do acordo atingido Conselho Europeu este mês.

Outros eventos em foco:

  • CaixaBank BPI e da Caixa Geral de Depósitos publicam resultados
  • Banco de Portugal publica nota de informação estatística  sobre axas de juro de novas operações de empréstimos e depósitos
  • INE divulga estimativa rápida da inflação de julho
  • França: PIB do segundo trimestre
  • Resultados: Air France, BNP Paribas, Vinci, Engie (França), Motorola, AON, Colgate, Caterpillar, Chevron, Exxon (EUA)
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