Trabalhadores da Saint-Gobain mantêm luta, considerando as propostas da empresa insuficientes

Os trabalhadores da Saint-Gobain em Santa Iria da Azóia, Loures, decidiram esta sexta-feira manter as ações de luta, por recusarem o encerramento da fábrica e considerarem que as propostas da empresa não são uma alternativa ao despedimento dos 130 funcionários.

Os trabalhadores da Saint-Gobain em Santa Iria da Azóia, Loures, decidiram esta sexta-feira manter as ações de luta, por recusarem o encerramento da fábrica e considerarem que as propostas da empresa não são uma alternativa ao despedimento dos 130 funcionários.

Após a realização da quarta reunião para discutir o despedimento coletivo na Saint-Gobain, que contou com a participação de representantes da Direção-Geral do Emprego e Relações de Trabalho (DGERT), dos trabalhadores e da empresa, o pessoal da fábrica reuniu-se em plenário e considerou que não tem motivos para alterar a sua posição porque a empresa apenas “apresentou perspetivas e não soluções”.

A Saint-Gobain Portugal emitiu hoje, dia 24 de setembro, uma nota de imprensa onde dá conta que apresentou propostas de recolocação para cerca de uma centena de trabalhadores e aumentou o valor das suas indemnizações, mas reitera a irreversibilidade da decisão de encerramento da atividade produtiva em Santa Iria.

De acordo com o comunicado, a Saint-Gobain Sekurit Portugal (SGSP) propôs a recolocação de 36 trabalhadores nas empresas do Grupo Saint-Gobain em Portugal, 10 em empresas do Grupo Saint-Gobain em Espanha, 51 em empresas independentes da região de Lisboa, num total de 97 postos de trabalho. Além de “seis trabalhadores que é possível manter no armazém a instalar em Palmela”.

“Também na reunião de hoje, a SGSP aceitou aumentar o montante da contrapartida financeira para os trabalhadores para um valor 75% acima do valor da indemnização legal”, disse a empresa, acrescentando que esta “proposta foi apresentada por intercessão do representante da DGERT”.

A SGSP contratou também os serviços de uma consultora especializada que indicou que “duas das maiores empresas da região de Lisboa, uma delas em Santa Iria de Azóia, estão a recrutar cerca de centena e meia de operários e já há contactos com essas empresas para serem considerados os trabalhadores da SGSP”.

“Ou seja, há muito boas probabilidades de ser recolocada a maioria dos 130 trabalhadores da SGSP, sendo que a aceitação pelos trabalhadores destas alternativas é voluntária”, disse a empresa.

Fátima Messias, coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM), disse à agência Lusa que no fundamental a empresa não alterou a sua posição, porque mantém o encerramento da fábrica, e os trabalhadores também não alteraram a sua posição porque não aceitam o seu encerramento.

“As propostas de recolocação também não são uma alternativa ao despedimento, porque não são certas, exceto os seis postos de trabalho que vão ser mantidos para condutores manobradores de empilhadores em Palmela”, disse.

Segundo a sindicalistas, os restantes postos de trabalho no grupo são no norte de Portugal e em Espanha e eventuais contratações por outras empresas “não são mais que perspetivas”.

No plenário desta sexta-feira os trabalhadores mostraram-se determinados para continuar a lutar junto da empresa e do Governo.

“Temos que pressionar o Governo a tomar uma posição, porque esta decisão desta multinacional é lesiva dos interesses dos trabalhadores e dos interesses nacionais”, afirmou Fátima Messias.

Os trabalhadores da Saint-Gobain de Santa Iria da Azóia vão manifestar-se no sábado, com as respetivas famílias, em Lisboa, para pedir ao primeiro-ministro que trave o despedimento coletivo.

Depois de concentrações junto aos ministérios do Trabalho e da Economia, estes trabalhadores vão desta vez deslocar-se à capital com a famílias para desfilar entre a zona de Santos e S. Bento e manifestar-se junto à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa.

“Temos vindo a pedir a intervenção do Governo junto desta multinacional, para que impeça o encerramento da fábrica e defenda os interesses do país e o aparelho produtivo nacional, dado que é a única fábrica do país que produz vidro para automóveis”, disse à Lusa Fátima Messias.

Os trabalhadores têm-se concentrado diariamente junto à fábrica de Santa Iria, há cerca de um mês, em defesa dos postos de trabalho.

“A empresa diz que a sua decisão é irrevogável, mas isso não significa que o Governo assista impávido e sereno ao encerramento desta fábrica e ao despedimento de 130 pessoas. Quando são esperados tantos milhões da União Europeia para ajudar à recuperação económica, certamente que pode ser encontrada uma solução para salvar esta empresa, que é importante para a economia nacional, já que o vidro que ela produz terá de ser importado, contribuindo para o agravamento do défice”, disse Fátima Messias.

A FEVICCOM tem uma reunião, na segunda-feira, no Ministério do Trabalho, com os secretários de Estado do Emprego e Adjunto do ministro da Economia.

Os trabalhadores decidiram também fazer um desfile na avenida de Roma e concentrar-se junto ao ministério enquanto durar a reunião.

Segundo a empresa, os problemas da Saint-Gobain Sekurit Portugal têm mais de uma década, mas “a pandemia da Covid-19 agravou uma situação já de si frágil, aumentando substancialmente a retração do mercado automóvel (a empresa transforma vidro para os automóveis, sendo essa a sua única atividade), sem possibilidades de recuperação a curto, médio e longo prazo”.

Em Portugal, o Grupo Saint-Gobain emprega cerca de 800 trabalhadores distribuídos por 11 empresas e oito fábricas e totaliza um volume de faturação correspondente a 180 milhões de euros.

O processo negocial no âmbito do despedimento coletivo na Saint-Gobain Sekurit Portugal prossegue na terça-feira.

A decisão de encerramento da atividade produtiva da empresa e o consequente despedimento coletivo dos 130 trabalhadores foi anunciada no dia 24 de agosto.

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