Serviços postais caem 12,4% mas tráfego de encomendas dispara 20% em 2020

Tráfego total dos serviços postais caiu 12,4% em 2020, uma quebra que “está associada aos efeitos da pandemia da Covid-19” e que foi “mais expressiva” do que o recuo verificado em 2019 (-6,7%). A pandemia terá tido “um impacto direto, negativo, de 9,8% no tráfego postal total”.

Cristina Bernardo

A pandemia da Covid-19 veio acelerar a tendência de diminuição do tráfego postal, tendo em conta que de 2019 para 2020 a quebra do tráfego de correspondências, correio editorial e publicidade endereçada quase duplicou. Contudo, o contexto pandémico gerou um disparo no tráfego de encomendas, segundo dados divulgados pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) relativos a 2020.

De acordo com o regulador sectorial, o tráfego total dos serviços postais caiu 12,4% em 2020, uma quebra que “está associada aos efeitos da pandemia da Covid-19” e que foi “mais expressiva” do que o recuo verificado em 2019 (-6,7%). A Anacom calcula que a pandemia teve “um impacto direto, negativo, de 9,8% no tráfego postal total”. Caso não tivesse ocorrido a pandemia, “estima-se que o tráfego postal tivesse diminuído apenas 2,9%, o que representaria um decréscimo menos acentuado que o verificado em 2019 (-6,7%)”.

Em contraciclo, contudo, esteve o tráfego de encomendas que aumentou 20%. “O ritmo de crescimento foi superior ao verificado no ano anterior (14,1%), enquanto as diminuições verificadas no envio de correspondência e correio editorial (-15,3% e -11,9%, respetivamente), foram as mais significativas desde o início da recolha destes indicadores (em 2012). O envio de publicidade endereçada diminuiu 15,5%”, detalha a Anacom.

No último ano, 75,5% do tráfego postal correspondeu a correspondências, 7,6% era correio editorial e 6,8% era referente a publicidade endereçada.

Os serviços postais afetos ao serviço postal universal, cujo incumbente são os CTT, representaram cerca de 82,2% do tráfego, menos 2,7 pontos percentuais do que em 2019. A Anacom adianta, ainda, que 55% da receita gerada pelo tráfego total postal respeitava ao serviço postal universal.

No final de 2020, contabilizavam-se cerca de 14,8 mil trabalhadores afetos à exploração dos serviços postais, 75,6% dos quais trabalhadores dos CTT. A Anacom diz que se registaram mais 20 trabalhadores nos serviços postais e menos 218 nos CTT, face a 2019.

Em 2020, os veículos, os pontos de acesso e os centros de distribuição aumentaram, respetivamente, 22%, 8,3% e 1,7%. “O crescimento do número de veículos deveu-se em grande medida à expansão da frota de vários prestadores de correio expresso, incluindo o grup CTT. O aumento dos pontos de acesso deveu-se sobretudo à entrada em exploração de duas novas redes de recolha e entrega de encomendas de dois prestadores”, detalha a Anacom.

O número de estações de correio dos CTT aumentou 4,3% em relação ao trimestre homólogo, contabilizando mais 23 estações, enquanto o número de postos de correios diminuiu 1,5%, continuando a tendência de restruturação da rede iniciada em 2019.

Ler mais
Recomendadas

Novo Banco: Avaliadores não veem razões para mudanças de valores de imóveis em seis meses

O responsável, ouvido esta quinta-feira na audição do presidente da ANAI Ramiro Teixeira Gomes na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, referia-se a “perdas de imparidades de uma instituição financeira, neste caso o Novo Banco, por via de ativos” imobiliários.

Cavaco lamenta “interpretações abusivas” acerca de declarações sobre BES

O antigo Presidente da República classificou de “intuitos pouco honestos” as declarações de quem fez “interpretações abusivas” das suas palavras sobre o BES antes da resolução, “chegando ao ponto de afirmar” que “tinha incentivado as aplicações em instrumentos financeiros do BES ou do respetivo grupo não financeiro”.

Sines vai arrancar com Data Centre Campus, um investimento que pode chegar a 3,5 mil milhões

A cerimónia de apresentação do projeto, que pode criar até 1.200 empregos qualificados e é da responsabilidade da empresa star campus, será encerrada pelo primeiro-ministro, António Costa.
Comentários