Transformação Digital do Papel ou de Processos de Negócio?

Um processo correto de transformação digital começa “numa folha em branco”, sem qualquer constrangimento sobre “o que existe”, nem sobre qualquer tecnologia.

Atualmente uma das modas a que mais assistimos, no mercado empresarial, é o uso das palavras “Transformação Digital” em tudo o que toque em Sistemas de Informação. É bom que se diga que não é um novo conceito, mas ganhou recentemente um grande hype de marketing pela pressão de se garantir agilidade, resultante da cada vez maior competitividade empresarial.

Até aqui tudo bem… O problema está no facto de se usar erradamente o conceito “Transformação Digital” em projetos onde simplesmente se desmaterializa “papel”, mantendo-se exatamente todo o processo existente. Por isso, há que clarificar que muitos dos projetos são de “Transformação Digital do Papel”, pois quem lidera o projeto, ou quem o patrocina, está congelado no conceito do processo existente.

Para um negócio tradicional não é fácil ultrapassar as barreiras da estrutura orgânica existente, nem do “sempre se fez assim” ou do quero é “uma base de dados” para guardar o que estava em papel! Muitos destes projetos falham desde logo, pois os utilizadores, colaboradores e clientes desse processo, identificam que demoram mais tempo com a aplicação informática que foram obrigados a usar para carregar dados em formulários, do que antes no uso de papel. Antes processavam facilmente e tinham os processos “na sua cabeça” e organizados em dossiês nos arquivos. Conclusão, a receita usada em muitos projetos de Sistemas de Informação continua a ser a de “onde está o papel, mudar para uma base de dados e põem-se uns formulários”.

A Transformação Digital é muito mais do que a desmaterialização do papel; é um modelo que permite retirar atividades que deixaram de ser desnecessárias, quer pela evolução do negócio, quer pela existência de tecnologias capazes de automatizar essas atividades, fazendo-se de outra forma mais simples e melhor, reduzindo o custo (e já não é só o TCO – Total Cost of Ownership, mas o COGS – Cost of Goods Sold). Sempre com o objetivo de acelerar o negócio.

Um processo correto de Transformação Digital começa “numa folha em branco”, sem qualquer constrangimento sobre “o que existe”, nem sobre qualquer tecnologia. Transformar digitalmente uma empresa é fundir a empresa com novos modelos de negócio, que podem inclusive ser disruptivos com os usados até então.

Para os negócios tradicionais, não é fácil de facto ultrapassar os seus “receios” internos de mudança. A rápida evolução das necessidades dos clientes tem feito crescer novas oportunidades de negócio, onde as startups acabam por ter a vantagem de não ter “lastro”, nem “pesos” para gerir/alterar. É aqui que o papel dos líderes fortes e visionárias é diferenciador. Aqueles que compreendam que devem identificar quem são os talentos internos aptos a executar essa visão, conseguirão ter maiores possibilidades de vencer nos seus mercados.

Já não é de hoje que sabemos que as empresas “tradicionais” têm de estar em constante inovação, mas a velocidade é tanta que implica mais do que isso. Implica acrescentar processos de Transformação Digital, pois a inovação incremental pode não ser suficiente, isto é, são necessárias algumas revoluções de forma contínua. Não é fácil, longe disso, mas é essencial que não se embrenhem na “Transformação Digital do Papel”.

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