São Tomé e Príncipe encontra-se num momento decisivo na sua trajetória no setor energético. Durante décadas, o país dependeu quase exclusivamente de centrais térmicas a gasóleo, responsáveis por aproximadamente 95% da eletricidade produzida até 2025. Esta forte dependência de combustíveis fósseis tornou o sistema energético nacional vulnerável às flutuações internacionais do preço do petróleo, onerou o orçamento público e contribuiu para frequentes perturbações no fornecimento de energia.
Perante este cenário, a transição energética representa não apenas uma prioridade ambiental, mas também um imperativo económico e social, tornando-se um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das mais relevantes oportunidades de desenvolvimento sustentável para o país.
Com o apoio de parceiros internacionais, como o Banco Mundial, o BAD e a UNIDO, o país estabeleceu metas ambiciosas: alcançar 50% de energias renováveis na matriz energética até 2030 e reduzir substancialmente a dependência de combustíveis fósseis no mesmo horizonte temporal. Este compromisso integra a Visão 2030 e está refletido em instrumentos estratégicos como o Plano de Ação Nacional das Energias Renováveis (PANER), validado em 2022, que identifica o potencial solar e hídrico disponível no arquipélago.
Em 2026, projetos estruturantes entram em operação, com destaque para a Central Solar Fotovoltaica de Água Casada (11 MW), desenvolvida através de um modelo inovador de leasing que reduz o investimento inicial por parte do Estado. Outro marco relevante é a expansão da Central Solar de Santo Amaro, financiada pelo BAD, que reforçará a capacidade instalada e contribuirá para uma maior estabilidade da rede elétrica nacional.
Simultaneamente, o país tem avançado na consolidação de políticas públicas essenciais que apoiam a transição energética. O Plano Nacional de Investimento em Energias Sustentáveis, apresentado em 2025, define prioridades para a modernização da rede elétrica, para a diversificação da matriz energética e para a atração de investimento privado.
Contudo, os desafios permanecem significativos. As perdas elétricas ultrapassam 30%, a infraestrutura energética carece de modernização e o setor enfrenta dificuldades de gestão. Além disso, cerca de 18% da população ainda não dispõe de fornecimento elétrico fiável, tornando a expansão do acesso, sobretudo nas zonas rurais, uma prioridade.
Apesar destes obstáculos, o potencial transformador da transição energética é inegável. A radiação solar e recursos hídricos disponíveis oferecem condições favoráveis para a construção de uma matriz energética mais limpa, resiliente e economicamente sustentável, capaz de reduzir custos, promover o desenvolvimento de competências locais, gerar empregos e impulsionar uma maior inclusão social.
São Tomé e Príncipe está, portanto, diante de uma oportunidade histórica. A consolidação da transição energética exigirá continuidade política, reforço institucional e investimento contínuo, mas, se conduzida com visão estratégica, poderá definir um novo capítulo no desenvolvimento sustentável do país – mais seguro, mais verde e mais justo.
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