A Hiscox, seguradora internacional especializada em empresas, publicou o seu primeiro relatório global Hiscox Protection Gap Report que realça a falta de segurança entre as PMEs.
O relatório global sobre a protection gap nas PME abrangeu 6.250 donos de pequenas e médias empresas no Reino Unido, EUA, França, Alemanha, Espanha e Portugal, e expõe uma realidade alarmante: a grande maioria do motor da economia global (responsável por 50% do PIB mundial) está desnecessariamente exposta a riscos financeiros e operacionais.
O estudo diz que cerca de um terço das pequenas empresas não reviu as suas apólices nos últimos três anos, o que significa que o seu seguro pode já não refletir a escala ou a natureza das suas operações. À medida que os riscos evoluem e as empresas crescem, o subseguro surge como uma vulnerabilidade que ameaça tanto a estabilidade financeira como a resiliência a longo prazo.
O underinsurance (subseguro) ocorre quando o capital seguro numa apólice é inferior ao valor real necessário para reconstruir, reparar ou substituir os bens segurados em caso de sinistro.
Olhando para a percentagem de pequenas empresas que reportam algum nível de subseguro, verifica-se que em Portugal, a par com a Alemanha o peso de PME com underinsurance é de 70%, ainda assim melhor do que as PME de França, Espanha, Reino Unido (74%) e Estados Unidos (77%), segundo relatório.
Num contexto onde as Pequenas e Médias Empresas são o verdadeiro motor da economia global, este novo estudo revela que três em cada quatro (74%) PME’s a nível global não têm cobertura de seguro suficiente, embora 92% admita que este risco está no topo das suas preocupações.
Por outro lado, embora as ameaças estejam no topo das preocupações — com o roubo/danos materiais (34%), ciberataques (33%) e acidentes de trabalho (32%) a liderar a lista — existe um desconhecimento generalizado sobre como as mitigar.
Segundo o Hiscox Protection Gap Report 2025, 80% dos inquiridos não sabe explicar o que cobre um seguro de responsabilidade civil profissional e 77% desconhece os contornos do seguro cibernético. Esta iliteracia traduz-se em falhas graves: 55% das PME não possuem seguros básicos, como responsabilidade civil geral ou de bens, ficando vulneráveis a processos judiciais dispendiosos e indemnizações por danos a terceiros ou colaboradores.
Apenas 20% das PME conseguiram identificar corretamente o que o seguro de responsabilidade civil profissional realmente cobre, com níveis de incompreensão particularmente elevados em Portugal (88%), Alemanha (84%) e EUA (83%).
Entre as empresas com seguro de responsabilidade civil profissional, em média 25% afirmaram ter um limite de indemnização por sinistro inferior a 500.000 euros, o que pode ser insuficiente em caso de sinistro. Em Portugal essa percentagem é de 33% e lidera a tabela.
Apenas 23% das PME conseguiram identificar corretamente o que o seguro cibernético cobre realmente, com níveis de desconhecimento particularmente elevados em França (83%) e nos EUA (83%). Entre as empresas sem seguro cibernético, 42% afirmaram não precisar dele porque os seus sistemas online, software e computadores são seguros, e outros 33% acreditavam que os seus negócios eram demasiado pequenos para serem alvos de cibercriminosos.
Olhando para a percentagem de PME que afirmam que os seus negócios são demasiado pequenos para serem alvos de cibercriminosos, verifica-se que em Portugal é de 35%.
O relatório revela ainda que ao nível do que mais preocupa as pequenas empresas, e comparando as três principais preocupações seguráveis nos principais mercados, verifica-se que em Portugal os “acidentes de trabalho ou lesões de colaboradores” representa 42% das preocupações das PME, claramente acima dos outros países estudados. O “roubo ou danos à propriedade” preocupa 36% das PME portuguesas, mas 39% das espanholas, por exemplo. Já o “ciberataque ou violação de dados” preocupa 38% das PME portuguesas ao passo que preocupa 44% das PME alemãs, por exemplo.
A Hiscox alerta para alguns comportamentos de risco na gestão das apólices, nomeadamente a inércia, já que um terço dos proprietários de PME não revê os seus seguros há mais de três anos, ignorando o crescimento de receitas ou colaboradores; e atraso na proteção já que 24% das empresas só contratam seguro após atingirem lucros e 23% esperam até o negócio ser a tempo inteiro.
Seguradora Hiscox aponta recomendações
O estudo da Hiscox aponta recomendações. Uma é fazer uma auditoria de riscos que se traduz em mapear vulnerabilidades operacionais e regulamentares específicas de cada setor. Outra é fazer uma atualização constante, que consiste em acompanhar as tendências de risco e alterações na lei através de associações setoriais. Por fim recomenda uma revisão anual dos seguros. Isto é, reavaliar coberturas sempre que o negócio crescer (ex: +20% em receitas) e não subestimar os limites das apólices, uma vez que o padrão de um milhão de euros pode ser insuficiente para cenários extremos.
“Existe uma lacuna real de proteção que queremos trazer para o centro da discussão”, afirma a Hiscox, reforçando que o seguro deve ser visto como uma garantia de tranquilidade e não apenas um custo.
“O nosso relatório revela dois pontos essenciais. Primeiro, mostra que existe uma lacuna real de proteção nas PME — uma realidade que, até agora, nunca tinha sido devidamente estudada ou quantificada e que queremos trazer para o centro da discussão. Em segundo lugar, confirma que o seguro continua a ser uma garantia de tranquilidade na gestão de um negócio. Num momento especialmente desafiante para o tecido empresarial, as PME precisam, mais do que nunca, de apoio. E é fundamental que tenham presente que o seguro está lá para as proteger quando mais precisam, sobretudo face a riscos que, até aqui, têm passado despercebidos,” destaca a seguradora.
Focando no mercado português, e embora as PME portuguesas partilhem a lacuna de 74% na proteção global, o cenário nacional ganha contornos específicos em 2025/2026, onde cerca de 54% das PME portuguesas sofreram pelo menos um ciberataque no último ano.
A Inteligência Artificial tornou-se a nova porta de entrada já que 48% das PME lusas identificaram vulnerabilidades associadas ao uso de ferramentas de IA como origem de ataques. Os principais vetores de ataque em Portugal são dispositivos IoT corporativos (33%), servidores internos (30%) e o clássico phishing direcionado a colaboradores (28%).
O risco não é apenas financeiro. Relatórios recentes da Hiscox Portugal indicam que os ciberataques estão a agravar o stress e o esgotamento (burnout) nas equipas de gestão das PME nacionais.
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