Tropas da NATO e de Portugal retiram-se do Afeganistão 20 anos depois do início da luta contra a al-Qaeda

A intervenção dos aliados no Afeganistão teve como objetivo atacar a al-Qaeda de Osaba Bin Laden em resposta aos ataques do 11 de setembro às Torres Gémeas em Nova Iorque.

Afeganistão

As tropas da NATO e de Portugal vão-se retirar do Afeganistão a partir de 1 de maio, anunciou hoje o Governo português.

A decisão foi hoje tomada durante uma reunião extraordinária da NATO onde participaram os governos dos seus estados-membros.

Foi em 2001 que os aliados decidiram intervir no Afeganistão em resposta aos ataques da al-Qaeda às Torres Gémeas em Nova Iorque no infame 11 de setembro.

A intervenção no Afeganistão teve vários objetivos: “confrontar a al-Qaeda e os que atacaram os Estados Unidos no 11 de setembro, e prevenir o uso do Afeganistão pelos terroristas como um porto seguro”, segundo a NATO.

“Nas décadas seguintes através do investimento de sangue e dinheiro, e em parceria com a República Islâmica do Afeganistão e as suas forças de segurança, trabalhámos em conjunto para atingir esses objetivos”, de acordo com o comunicado hoje divulgado pela NATO.

A participação portuguesa teve início em 2002, com mais de 4.500 militares nacionais a passarem pelo país asiático.

“Com esta retirada, conclui-se um importante e prolongado contributo português na luta contra o terrorismo. Registaram-se no Afeganistão importantes progressos em termos de estabilidade e segurança, bem como em termos de desenvolvimento social, incluindo em particular os direitos de mulheres e o acesso à educação para as raparigas”, segundo o comunicado conjunto dos ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.

“A retirada vai ser ordeira, coordenada e deliberada. Planeamos ter a retirada completa de todas as tropas norte-americanos e da Missão Resolute Suport dentro de alguns meses. Algum ataque taliban nas tropas aliadas durante a retirada vai provocar uma resposta de força”, avisa a NATO.

O Governo português garante que “Portugal ajustará, de forma coordenada com os aliados, o dimensionamento da sua participação tendo decidido manter a presença da Força de Reação Rápida nacional na proteção do Aeroporto Internacional em Cabul até final de maio, e continuar a contribuir com elementos de estado-maior nas estruturas de comando da missão até final da Missão Resolute Support, continuando igualmente a contribuir anualmente para o fundo de apoio ao Exercito Nacional Afegão até 2024”.

Por fim, Portugal diz que “mantém o seu compromisso com os esforços da comunidade internacional no combate ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações, de que são exemplos os contributos nacionais do Médio Oriente ao Sahel, do Corno de África a Moçambique”.

Por sua vez, os aliados apontam que “a NATO organizou uma das maiores coligações na história para intervir no Afeganistão. As nossas tropas foram em conjunto, adaptaram-se em conjunto e agora vamos sair em conjunto. Estamos gratos a todos os que serviram e apoiaram esta missão, incluindo as forças de segurança do Afeganistão. Prestamos homenagem aos sacrifícios dos que pagaram um preço elevado pelo seu serviço”, conclui a NATO.

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