Tsipras: “sair da Europa e ir para onde… para outra galáxia?”

O primeiro-ministro grego apontou o dedo a Varoufakis por ter apresentado um plano fraco e ineficaz para tirar a Grécia da moeda única. Tsipras não faz críticas apenas ao antigo ministro das Finanças e admite sobre a sua governação: “Cometi erros, grandes erros”.

Yves Herman / Reuters

A Grécia sair do euro ou da União Europeia é uma questão que não está, nem nunca esteve, em cima da mesa, segundo Alexis Tsipras. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o primeiro-ministro grego garantiu que o país faz parte da Europa, enquanto falou dos “erros” que cometeu desde que chegou ao cargo e sobre o ex-ministro das Finanças, Yannis Varoufakis.

“Sair da Europa e ir para onde… para outra galáxia?”, disse o primeiro-ministro, acrescentando que “a Grécia faz parte da Europa”. “Sem ela, como seria a Europa? Perderia uma parte importante de sua história e do património”.

A questão surge da ideia lançada pelo ex-ministro das Finanças, Varoufakis, cujo plano de abandono do euro, Tsipras classifica como “fraco e ineficaz”. Segundo o líder do Governo, o antigo ministro, que se demitiu a 6 de julho de 2015 ao fim de seis meses em funções, estava a tentar “reescrever a história”.

“Talvez chegue o momento em que certas verdades serão ditas”, admitiu. “Quando chegarmos ao ponto de analisar o que ele apresentou como plano B, que era tão vago que nem valia a pena discutir. Era simplesmente fraco e ineficaz”.

Tsipras não aponta o dedo apenas a Varoufakis, mas também a si próprio. Há dois anos e meio como chefe do Governo, o líder do partido de esquerda Syriza admitiu que “não tinha experiência, nem noção de quão grandes seriam as dificuldades no dia-a-dia”, quando chegou ao poder. “Cometi erros, grandes erros”, nomeadamente “na escolha de pessoas para lugares-chave”.

O primeiro-ministro acredita, no entanto, que a economia que lidera está a crescer. “Lentamente, lentamente. Mas o que ninguém acreditava que poderia acontecer, vai acontecer. Vamos tirar o país da crise”, disse.

As previsões de Tsipras, que identifica como prioridade a recuperação da soberania económica, é que “após oito anos, a Grécia saia do programa de assistência e da supervisão internacional”, em agosto de 2018.

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