U.Porto leva mais longe o conceito de “internacionalizar em casa”

Este ano letivo, a Universidade recebeu o maior número de estudantes internacionais da sua história. O contingente é liderado pelo Brasil.

É apaixonado pela cidade onde nasceu, o Rio de Janeiro, mas o Porto, onde estuda Engenharia Mecânica, já tem lugar cativo no seu coração. Luiz Henrique de Vasconcelos Rodrigues, 21 anos, é um dos 3.324 estudantes que trocaram o Brasil pela Universidade do Porto (U.Porto).

O estudante de 21 anos, frequenta o terceiro ano do mestrado integrado na Faculdade de Engenharia da Invicta, onde encontrou tudo o que procurava, conforme explica ao Educação Internacional. “Sair da zona de conforto, ter vivências únicas, crescer no âmbito pessoal e profissional, estar aberto a grandes oportunidades e viver num centro de inovação concretizam o sonho que tinha”.

Não muito distante, na Faculdade de Desporto, Imari Nkenge-Hinds, norte-americano de 29 anos, também concretiza um sonho. Frequenta o primeiro ano do mestrado em treino de Alto Rendimento Desportivo. É licenciado em Ciências do Desporto e sonhava um dia aprofundar conhecimentos na Europa. Em 2013, as circunstâncias levaram-no ao Brasil. Melhorou o português na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e, dois anos depois, viajou para Portugal ao encontro de um estágio da AIESEC.

“Depois do estágio encontrei uma vaga no FC Porto Dragon Force, em Lisboa, onde conheci o João Oliveira. Foi com ele que falei da possibilidade de fazer o mestrado em Portugal”. Formado pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, o “míster” aconselhou-o na direção a tomar. “Achei muito interessante a estrutura do programa. Acredito que esta é a melhor faculdade do mundo para desenvolver técnicos na modalidade de futuro”.

Brasil, Estados Unidos, Austrália, Egito, Sri Lanka, México ou Rússia. Os alunos chegam de todas as geografias. A Universidade do Porto recebeu, este ano letivo, o maior número de estudantes internacionais da sua história. Numa altura em que os dados ainda não estão totalmente fechados, sabe-se que há mais de 5.600 alunos e investigadores internacionais, oriundos de mais de 90 países, a frequentar um curso completo ou um período de mobilidade de seis meses a um ano, ao abrigo de programas como o Erasmus+ nesta universidade.

O Brasil é o líder incontestado. A aceitação pela U.Porto dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) do Brasil, como critério de seleção para os estudantes deste país que queiram ingressar nesta universidade, veio facilitar a vinda dos estudantes brasileiros.

A segunda nacionalidade mais representada é a italiana, com 327 alunos. Segue-se Espanha (280), Alemanha (143) e Polónia (114). Os estudantes internacionais correspondem já a 18% da comunidade académica da maior universidade do norte do país. O conceito que Maria de Lurdes Correia Fernandes, vice reitora para a Formação e Organização Académica e das Relações Internacionais, define como “internacionalizar em casa” é “um objetivo estratégico” da universidade, na medida em que “permite aos estudantes “contactar com diferentes realidades culturais, sociais, técnicas e linguísticas, propiciadas pela presença de estudantes internacionais”.

No que toca às propinas, o valor anual aplicado é definido por cada faculdade da U.Porto e varia entre os 3.000 euros e os 8.000 euros. Estudantes nacionais dos oito estados que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) podem beneficiar de uma redução de até 50% no valor a pagar.

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