Um país poucochinho: 1+1=1 ou 1+1=3

Procuramos sempre a “marquise do Ronaldo” em qualquer um que tenha sucesso, achando que só merece estar no topo quem nunca errou, quem fez tudo certo e sem mácula, esquecendo que só erra quem faz.

Olhando para estas somas matemáticas, somos ensinados desde criança a considerar que estão erradas. A realidade da vida dá-nos outra perspetiva e confirma que são somas realmente certas.

Certas?! Sim! Facilmente entendemos que numa equipa, numa empresa ou num país podemos estar no lado da criação ou da destruição de valor.

A cultura do individualismo, do interesse pessoal, da visão de curto prazo, da não comemoração de bons (mesmo que pequenos) momentos, do dizer mal, da vingançazinha, do bloquear o que o outro fez só “porque não sou eu”, do perder tempo a olhar e apontar o que o outro fez menos bem, são alguns dos pontos capazes de consumir energia e destruir ou corroer objetivos essenciais ao crescimento de qualquer equipa. É o lado da soma negativa.

A cultura da visão, da partilha, da criação de empreendedorismo, da concorrência saudável, da meritocracia, do trabalho em grupo, da definição estratégica, da visão de médio e longo prazo, do aceitar o erro, do querer ultrapassar desafios e limites, do festejar os sucessos dos outros, são alguns dos exemplos capazes de aumentar dinâmicas e energias para alcançar objetivos que muitas vezes são considerados inultrapassáveis. É o lado da soma potenciadora.

Se perguntarmos, a qualquer pessoa em Portugal, de que lado pretende estar, certamente todas vão dizer que querem estar do lado da criação de valor. Mas se é assim, porque é que não estamos na liderança económica da Europa?

A resposta é simples: porque somos um país poucochinho. Contentamo-nos com pouco, ambicionamos pouco e acreditamos pouco.

Cresci a ouvir “Portugal nunca vai ganhar um Campeonato do Mundo ou da Europa em futebol”, tal como “Medalha de ouro nos Olímpicos? O Carlos Lopes foi por acaso”, ou mais recentemente: “Um português na liderança de um banco internacional? Achas? Sinceramente!”. Ou ainda “Um Português como Secretário Geral da ONU? Somos tão pequeninos que nem sabem onde estamos!”.

E continuamos desta forma a considerar que aqueles portugueses que “Fazem acontecer”, só o fazem porque “são manhosos”, “são corruptos” ou “lhes caiu nas mãos a oportunidade”. Ou seja, não valorizamos o trabalho, a ambição e a partilha. Procuramos sempre a “marquise do Ronaldo” em qualquer um que tenha sucesso, achando que só merece estar no topo quem nunca errou, quem fez tudo certo e sem mácula, esquecendo que só erra quem faz.

Saber discordar do que foi feito é “fazer diferente”. Mas fazer! Não é apenas “dizer que o outro fez mal”. A diferença entre dizer e fazer é extraordinária. O famoso sketch dos Gato Fedorento sobre o “Falam, falam e não fazem nada” retrata este ADN… muito português.

A cultura de transformar a matemática em “1+1 = 3” tem de ser criada e educada. Ambicioso não significa ganancioso!

De que lado quer estar? Onde queremos ter Portugal daqui a 20 ou 30 anos, quando esta nova geração estiver na liderança das empresas? São duas pequenas questões para todos e para quem nos lidera.

Estamos numa etapa do nosso país, onde não podemos desperdiçar oportunidades. Deixemos de ser poucochinho e ambicionemos o topo… com responsabilidade. Mas façam acontecer.

Recomendadas

Rio: populista ‘responsável’ e politico ‘antipolítico’

Rio é o líder da direita que diz não ser de direita, o político profissional que tenta parecer ‘antipolítico’ e o populista que demonstra sentido de Estado.

Luz verde no ‘Semáforo’ alemão?

Perante o novo contexto externo, terá a Alemanha compreendido que deve assumir-se como líder económico europeu, escolhendo governantes que agradam a gregos e germanos, mas empurrando a Europa para a linha da frente?

Temores inflacionistas

Os bancos centrais não devem tentar conter os aumentos salariais decorrentes da Grande Demissão.
Comentários