A sustentabilidade enquanto estratégia e como as organizações inteligentes mantêm as políticas de ESG (Environmental, Social, Governance), apesar dos ventos contrários promovidos por tantos governantes, era o mote de um interessante artigo pelo qual passei os olhos nos últimos dias. Alguns meses após o início da nova administração dos Estados Unidos, o texto dava conta de que o país assiste a mudanças drásticas no ambiente regulatório, fazendo com que várias iniciativas sociais e com ligação ao ambiente fiquem ameaçadas.
É um facto: os tempos do ESG, que todos nós adotámos como sigla matriz para tanta coisa, já tiveram melhores dias. Mas engana-se quem pensa que o caminho será de retrocesso irreversível, pois há aspetos práticos que continuam a fazer sentido. Ou melhor, fazem ainda mais sentido, no quadro em que Portugal se insere, com o Pacto Ecológico Europeu, lançado em 2019, que consiste num pacote de iniciativas estratégicas para colocar a União Europeia na via rumo a uma transição ecológica, com o objetivo último de alcançar a neutralidade climática até 2050.
Neste sentido, uma estratégia ESG realça o impacto transversal que as organizações têm de uma forma integrada, incluindo colaboradores e clientes, e sem esquecer a comunidade onde se insere. Além disso, responsabiliza-se pelas próprias ações e pelo seu negócio, promovendo um ideal de transparência nas suas operações e olhando para a sustentabilidade – financeira e não-financeira – como pedra basilar.
Dentro deste âmbito, a sustentabilidade ambiental, particularmente a gestão eficiente de energia, é um dos focos principais e para os quais já existem diversas soluções. Sabia que 40 por cento do consumo energético do mundo e 37 por cento das emissões de CO2 têm origem nos edifícios? Descarbonizá-los é uma prioridade e são muitos os benefícios gerados, através de diversas iniciativas.
A energia gerada por centrais fotovoltaicas para autoconsumo, que ao ser ampliada através da criação de comunidades de energia para a sua partilha, é um caminho que pode ser complementado pela introdução de sistemas de armazenamento, permitindo a otimização e aproveitamento da energia além das horas de sol. A instalação de novos equipamentos mais eficientes, como bombas de calor, também permitem reduzir o consumo de energia. Em complemento, cada vez mais empresas caminham para a descarbonização da sua frota automóvel, tornando-as mais amigas do ambiente. Esta conjugação de soluções e tecnologias limpas contribui em simultâneo, para eletrificação dos consumos nos edifícios.
Este aumento significativo das necessidades de eletricidade, conjugada com a produção local de energia e o seu armazenamento, já podem ser otimizados com base em inteligência artificial para melhor combinação de produção/consumo/armazenamento de energia nas instalações. A tecnologia disponível, permite combinar diferentes algoritmos que têm em conta dados como preços de tarifa, consumo esperado, condições meteorológicas, ocupação, entre outros.
Em traços genéricos, estas soluções integradas têm impacto a nível ambiental, económico e social, sendo fundamentais para as organizações que pretendam ser líderes na sustentabilidade energética e agentes de mudança.
Por um lado, será possível reduzir a pegada ambiental, descarbonizar o processo produtivo e/ou as operações e promover o consumo de energia limpa e local. Paralelamente, permite baixar os custos energéticos e será fator de proteção contra a instabilidade de preços, reforçando a competitividade, a atratividade do território e dos próprios ativos das empresas. Por último, no caso específico das comunidades de energia, poderão envolver os colaboradores e as populações locais, criando maior acessibilidade energética, coesão territorial e oportunidades, sendo possível partilhar o excedente produzido a preços mais baixos do que os da rede.
Por tudo isto, é caso para dizer: uma estratégia ESG continua a fazer todo o sentido, mas tem de ser encarada com a energia certa.


