“Uma perda de tempo e energia”. Juncker critica impasse do Brexit

O processo de divórcio entre o Reino Unido e os 27 está dependente da sessão parlamentar desta tarde, na Câmara dos Comuns. Até que se chegue a um consenso em Westminster, os eurodeputados no Parlamento Europeu não deverão aprovar o acordo do Brexit.

Esta terça-feira os eurodeputados reuniram-se no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para debater (mais uma vez) o futuro do Brexit. Os deputados debateram com Donald Tusk e com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o impasse britânico e o acordo aprovado na semana passada pelos chefes de Estados e de Governo.

Num discurso em que começou por fazer uma avaliação do seu mandato que chega ao fim depois de cinco anos, Juncker não hesitou em falar no Brexit. “Para dizer a verdade, custou-me imenso ter gasto tanto tempo a lidar com  o Brexit quando sempre pensei que esta união podia fazer bem aos nossos cidadãos”, começou por dizer. “Foi uma perda de tempo e energia”, rematou.

“Vou lamentar sempre a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia, mas ao menos podemos olhar para nós e dizer que fizemos tudo ao nosso alcance para que a saída acontecesse de forma ordeira”, cita o The Guardian as declarações do presidente da Comissão Europeia, esta manhã.

Por fim, relembrou que para que o processo estivesse mais perto de uma resolução, os parlamentares em Westminster têm primeiro de votar no acordo antes dos eurodeputados poderem dar o seu parecer: “Primeiro Londres, depois Estrasburgo”, disse Juncker.

O Parlamento Europeu não deverá aprovar o acordo do Brexit esta semana

Enquanto não há decisão em Londres, o pedido de extensão feito no sábado pelo Parlamento britânico deverá permanecer em standby.

Donald Tusk ficou de consultar os 27 sobre a possibilidade de prolongar a permanência dos britânicos por mais algum tempo. No entanto, a UE quer primeiro ver esclarecidas as razões pelas quais os britânicos precisam de mais tempo. Eleições? Um referendo? Ou uma mera extensão técnica para passar legislação, caso o acordo seja aprovado já muito em cima do dia 31

“O Parlamento Europeu não vai votar o Acordo de Saída enquanto a Câmara dos Comuns não tomar uma decisão final”, afirma Pedro Silva Pereira aos jornalistas em Estrasburgo, esta segunda-feira. O eurodeputado do PS e vice-presidente do Parlamento Europeu exclui, assim, uma votação do documento durante a sessão plenária que arrancou esta segunda-feira na cidade francesa: “significa que não vamos ter certamente uma aprovação do acordo de saída por parte do PE esta semana”.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, vai tentar esta terça-feira aprovar a legislação necessária para poder garantir que o Reino Unido sai da União Europeia no dia 31 de outubro quer haja ou não consenso na Câmara dos Comuns em torno do acordo negociado por Downing Street com Bruxelas.

Ler mais
Recomendadas

Há 351 reclusos infetados com Covid-19. Ministra da Justiça diz que a situação está “totalmente controlada”

Uso de máscara obrigatório generalizado no interior das prisões portuguesas aguarda parecer da DGS, explicou Francisca Van Dunem.

Vacinas são boas notícias mas terão que chegar a milhares de milhões, considera OMS

Na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia, o diretor-geral daquela agência das Nações Unidas, Tedros Ghebreyesus, afirmou que os resultados de pelo menos três vacinas já anunciados permitem ter “esperança real de que as vacinas, em conjunto com outras medidas de saúde pública comprovadas, ajudarão a acabar com esta pandemia”.

Novo fim de de semana “desastroso”, com perdas acima dos 75% para o retalho e restauração

A AMRR considera que, embora as medidas decretadas tenham afetado mais os 191 municípios com recolher obrigatório, as perdas superiores ao habitual foram sentidas em todos.
Comentários