Uma questão de… idoneidade

Não sendo um problema exclusivo de Portugal, temos uma geração de políticos que não consegue planear, executar e prestar contas de acordo com as medidas anunciadas, e que enveredaram pela política da aparência.

A eleição para cargos de administração e de fiscalização das empresas no sector financeiro implica um rigoroso escrutínio que, para além da experiência profissional, disponibilidade, conhecimentos, independência, envolvem a análise da idoneidade e da capacidade de análise e decisão, reforçados pelo Código da Atividade Bancária.

Em caso de alguma suspeita sobre a candidatura a estes cargos, o processo poderá ser anulado, tendo a instituição de apresentar outro candidato.

Vem esta introdução a propósito do porquê do poder político insistir em aprovar leis ou regulamentos para sectores de actividade que o próprio não consegue cumprir.

A série de erros, e a incapacidade de previsão que a sociedade e a economia estão a sofrer, e irão continuar a sofrer, por decisões políticas reactivas e não preventivas, coloca em causa a forma como o poder político é eleito e depois escrutinado.

Não sendo um problema exclusivo de Portugal, temos uma geração de políticos que não consegue planear, executar e prestar contas de acordo com as medidas anunciadas, e que enveredaram pela política da aparência.

Os constantes anúncios e alterações de medidas, de apoios ou de investimentos na área económica, social ou fiscal, servem para desresponsabilizar e lançar a confusão, sendo impossível entender quem está a cumprir ou não.

É incompreensível que o poder político não assuma as suas responsabilidades perante as catástrofes que têm assolado Portugal. Desde os casos ainda pendentes na justiça, a Tancos, aos incêndios, aos investimentos anunciados e depois cativados, ao mais recente caso do procurador europeu ou à incapacidade de olhar para o Sistema Nacional de Saúde como um todo. Apenas por má-fé é que se pode imputar ao portugueses qualquer responsabilidade quando o Estado tem ao seu dispor todos os mecanismos para fazer cumprir as Leis e Decretos-Lei.

Em fevereiro de 2020, faz agora um ano, a DGS já previa que um milhão de portugueses pudessem ficar infectados. Ora, o plano de contingência deveria ter sido negociar a utilização de toda a capacidade do sistema. A ameaça de nacionalização, requisições, serve apenas para alimentar o sonho de alguns de um sistema controlado pelo Estado com total desrespeito pelo investimento interno e externo.

A eleição de Joe Biden para presidente dos Estados Unidos pode ser a lufada de ar fresco que a política mundial precisa, para ter menos Twitter e teatro, e quiçá mais ação.

Enquanto que Biden irá carregar no acelerador, preparando-se para a segunda distribuição de cheques à população e para apressar a vacinação, alcançando a imunidade de grupo, na Europa, os parlamentos nacionais ainda têm de aprovar o Plano de Recuperação europeu, destinado a fazer chegar a ajuda à população e às empresas. É uma questão de idoneidade e de eficiência!

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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A culpa vai morrer solteira

Se a mensagem foi por vezes difícil de transmitir, foi porque muitas vezes era a mensagem errada, de meias medidas nascidas do medo do dano político e económico. Ouvir um pedido de desculpa do Governo talvez seja pedir muito.

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O que não faz nenhum bem à nossa sociedade é esta rotina de estados de emergência sucessivos, sem horizonte assumido. Façam lá o plano, com ou sem datas concretas, e coloquem-no à nossa apreciação.
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