“Un-American” e inaceitável: as reações dos media barrados ontem por Trump

Os cinco órgãos de imprensa barrados de um briefing dizem que a Casa Branca escalou o conflito para um novo patamar. Trump reagiu no Twitter, chamando os ‘fake news’ de “perigosos” e “tristes”.

Jonathan Ernst/REUTERS

Indignação, avisos e persistência são as principais reações dos cinco media cujos jornalistas foram ontem impedidos de entrar num briefing com o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

A cadeia de notícias CNN, os jornais The New York Times e The Los Angeles Times, e o sites Politico e BuzzFeed foram barrados do gaggle, um briefing sem direito a captação de imagens no gabinete de Spicer e que substituiu a conferência de imprensa diária. Onze outros órgãos participaram na sessão, mas os jornalistas da agência Associated Press e da revista Time boicotaram o evento logo que souberam que alguns colegas tinham sido barrados.

A CNN, um dos principais alvos de Trump na guerra contra o que apelida de fake news, postou uma mensagem forte no Twitter. “Isto é um desenvolvimento inaceitável da parte da Casa Branca de Trump. Aparentemente isto é a forma como eles retaliam quando reportamos os factos que não gostam”.

Jake Tapper, correspondente-chefe da CNN em Washington, explicou que a administração “não parece respeitar a ideia de ter de prestar contas, não parece dar valor a uma imprensa independente, há uma palavra para essa linha de pensamento: ‘un-american’ [contra os valores americanos]”.

Tapper recordou ainda que horas antes do incidente na Casa Branca, Trump tinha lançado um novo ataque contra a imprensa.  Num discurso em Maryland, o presidente afirmou que está “contra as pessoas que inventam histórias e inventam fontes”.

Primeira vez

Num editorial, o New York Times lembrou que as ações da administração Trump são inéditas. “Nem durante os escândalos Watergate ou Iran-contra, o caso Monica Lewinsky ou qualquer outro número de escândalos ou crise, alguma vez um presidente ou um dos partidos barrou um órgão de notícias de um briefing na Casa Branca”.

“A Primeira Emenda [da constituição, que protege a liberdade da imprensa] pode ser inconveniente para alguém que deseja o poder sem escrutínio. O Sr. Trump pode querer refrescar o seu conhecimento sobre o que ela significa, e habituar-se a ela”, sublinhou.

Na outra costa dos EUA, o Los Angeles Times salientou que, ao excluir alguns dos maiores órgãos de notícias do país, Spicer “escalou a guerra da Casa Branca com a imprensa livre para um novo nível”.

“Se a intenção era de intimidar os jornalistas para estes escreverem menos coisas que a administração não gosta, e mais coisas que gosta, está condenada a falhar”, vincou, também num editorial.

Ben Smith, editor-in-chief do site BuzzFeed News, também afirmou que a estratégia de Spicer é contra-producente. “Embora tenhamos objeções fortes à aparente tentativa da Casa Branca de punir os media cuja cobertura não gosta, não vamos deixar que estas palhaçadas nos distraiam de continuarmos a cobrir esta administração de forma justa e agressiva”.

O site Politico salientou que Trump os seus assessores “escalaram de forma dramática o feudo que têm com a imprensa”, acrescentando que “o desdém pelos media chegou a novos máximos”.

Já após o incidente na Casa Branca, Donald Trump voltou ao assunto num tweet: “FAKE NEWS os media conscientemente não dizem a verdade. Um grande perigo para nossa nação. O falhado New York Times tornou-se numa anedoto. A CNN também. Triste!”.

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