União Europeia gastou 440 milhões de euros em projetos de gás natural suspensos ou cancelados

Deste total, 98% dizem respeito a um gasoduto que se encontra incompleto que serviria para transportar gás natural do Mar Negro para vários países. Mas A lista inclui o estudo sobre a terceira interligação de gás natural entre Portugal e Espanha (97 mil euros) e um gasoduto entre Espanha e França (seis milhões).

A União Europeia (UE) gastou 440 milhões de euros desde 2013 em estudos e em projetos de gás natural que nunca saíram do papel, estão incompletos ou suspensos.

Entre os projetos que nunca viram a luz do dia encontra-se a terceira interligação Portugal- Espanha e a nova interligação Espanha-França, que teria como objetivo aumentar a capacidade de exportação de gás natural da Península Ibérica para o resto da Europa.

As contas foram feitas pela Organização Não Governamental (ONG) Global Witness que que defende o fim dos subsídios pagos pelos contribuintes europeus para a indústria do gás natural.

“Algum do dinheiro da União Europeia, que os contribuintes nunca vão ver de volta, tem sido gasto em projetos que nunca foram construídos”, conclui a Global Witness.

A maior fatia deste valor, de longe, foi gasta num estudo sobre a construção do gasoduto BRUA cujo objetivo é transportar gás natural do Mar Negro, da Roménia, para a Bulgária, Hungria e Áustria. O objetivo deste gasoduto é evitar que estes países estejam dependentes do gás natural comprado à Rússia e tenham assim uma alternativa.

A primeira fase do projeto dentro da Roménia foi concluída em novembro de 2020, mas avanços e recuos já levaram que a extensão à Hungria fosse cancelada. Um dos principais investidores neste projeto, a petrolífera gigante norte-americana Exxon, anunciou que quer sair do projeto e vender a sua licença.

Como referido, a maior fatia (98% do total) corresponde a 431 milhões de euros já gastos no gasoduto BRUA. Segue-se o gasoduto Midcat que deveria ligar Espanha e França através dos Pirenéus: o projeto foi cancelado depois de 6,2 milhões de euros de fundos europeus.

Segue-se a interligação entre a Polónia e a República Checa que não regista avanços, que já teve direito a subsídios no valor de 1,3 milhões.

Depois, a interligação entre a Eslováquia e a fronteira entre a Turquia e Bulgária, via Roménia, que foi adiada indefinidamente, que teve direito a 438 mil euros.

Já o gasoduto Pince-Lendava-Kidričevo na Eslovénia teve direito a 344 mil euros, mas encontra-se suspenso desde 2014.

Na sexta posição surge o estudo sobre a terceira interligação entre Portugal e Espanha que foi cancelada. Esta interligação previa um gasoduto com 162 quilómetros entre a rede nacional de gás natural em Celorico da Beira, distrito da Guarda, e a fronteira espanhola. O estudo realizado pela REN teve direito a 97,3 mil euros de fundos comunitários.

Por último, a interligação entre a Áustria e a República Checa que teve direito a quase 42 mil euros e que se encontra suspensa.

No total, 10% do dinheiro gasto pela União Europeia em projetos de gás natural na União Europeia não avançaram ou estão suspensos. Desde 2013, que cerca de cinco mil milhões de euros em subsídios e fundos foram gastos em 41 projetos de gás natural na UE como gasodutos ou terminais.

Ler mais
Recomendadas

Sonae reforça posição na Sonae Sierra ao comprar 10% do capital desta à Grosvenor

O grupo com sede na Maia passa assim a deter 80% da Sonae Sierra, depois de adquirir 10% por uns estimados 82,16 milhões de euros à Grosvenor.

CEO do Goldman Sachs anuncia investimento de 156 mil milhões de dólares na sustentabilidade

David Solomon, presidente e CEO da Goldman Sachs, anunciou o progresso anual rumo ao compromisso do banco norte-americano em termos de Sustainable Finance Commitment. O banco norte-americano quer que os EUA regressem ao Acordo de Paris.

Administração da Semapa diz que preço da OPA da Sodim é o adequado

A administração da Semapa considera a OPA oportuna e o preço de 11,40 euros, bem como as restantes condições, são as adequadas.  A Semapa também diz que a OPA não prevê a necessidade de proceder a alterações às condições atuais dos trabalhadores e que o perfil de risco de crédito da empresa não será alterado.
Comentários