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União propõe eliminar tarifas sobre produtos dos EUA para pedir revisão dos impostos sobre automóveis

As negociações sobre o acordo continuam, com o bloco dos 27 a tentar salvar um setor que é dos mais afetados pelas tarifas, dado o seu elevado grau de exposição ao mercado norte-americano.
29 Agosto 2025, 09h25

A Comissão Europeia propôs esta quinta-feira a remoção de alguns impostos sobre produtos industriais importados dos Estados Unidos em troca da redução de tarifas norte-americanas sobre automóveis europeus. Segundo avança a imprensa norte-americana, a proposta marca o primeiro passo da União na continuação das negociações do acordo entre os EUA e o bloco dos 27 – que estacionou nos 15%. Os Estados Unidos concordaram em reduzir as tarifas sobre automóveis fabricados na União Europeia de 27,5% para 15% a partir do primeiro dia de agosto.

O acordo encerrou o conflito entre os dois maiores parceiros comerciais e de investimento do mundo, embora seja um acordo assimétrico, com Bruxelas a ser obrigada a cortar as tarifas, a comprar mais produtos energéticos dos Estados Unidos e a acetar investir diretamente do lado de lá do Atlântico.

Trump tem criticado periodicamente a União Europeia, dizendo em fevereiro que o bloco foi “formada para prejudicar os Estados Unidos” e criticou o défice comercial de mercadorias dos EUA com a UE, que em 2024 chegou aos 235 mil milhões de dóares – apesar de Trump ter avançado com 350 mil milhões.

Os governos da União têm dito que aceitam o acordo como uma espécie de mal-menor, cientes de que Trump estava determinado a impor tarifas de 30% sobre quase todos os produtos importados do bloco – o que levou dirigentes como Ursula von der Leyen e António Costa a aplaudir a tarifa de 15%, para grande espanto dos agentes económicos.

As propostas da UE também incluem concessões para produtos agrícolas, como tarifas zero sobre batatas, taxas reduzidas para tomate e cotas com tarifas zero ou baixas para carne suína, cacau e pizzas. Carne bovina e de aves, arroz e etanol estão excluídas do pacote.

A proposta legislativa da União precisará de ser aprovada pela maioria dos 27 membros e pelo Parlamento Europeu, o que pode levar várias semanas. Alguns produtos, incluindo aeronaves, cortiça e medicamentos genéricos, estão isentos da tarifa de 15%, mas aço, alumínio e cobre estão nos 50%. O acordo faz pouca menção aos serviços digitais. No entanto, na segunda-feira, Trump ameaçou impor tarifas adicionais a todos os países com impostos ou regulamentações digitais.


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