UNICEF avisa que dez milhões de crianças moçambicanas arriscam “pobreza mais extrema”

A declaração faz parte de um conjunto de análises publicadas por aquela agência da ONU entre o Dia da Criança, a 01 de junho, e o Dia da Criança Africana, celebrado a 16 de junho.

REUTERS/Afolabi Sotunde

A Covid-19 “significa uma pobreza mais extrema e prolongada e a negação dos direitos fundamentais para dez milhões de crianças de Moçambique” que já vivem desfavorecidas, alertou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A declaração faz parte de um conjunto de análises publicadas por aquela agência da ONU entre o Dia da Criança, a 01 de junho, e o Dia da Criança Africana, celebrado a 16 de junho.

As escolas em Moçambique estão fechadas desde 23 de março como forma de prevenir o avanço do novo coronavírus e o UNICEF lança um alerta: “Quanto mais tempo as escolas estiverem fechadas, maior será a perda de tempo de aprendizagem e maiores serão as hipóteses de as crianças, especialmente as raparigas, não regressarem à sala de aula após a reabertura escolar”.

Ao mesmo tempo, “a insegurança económica e a suspensão escolar prolongada pode exacerbar as tendências para uniões prematuras de crianças e para o sexo transacional como formas de lidar com a situação e como mecanismos de proteção” por parte dos agregados familiares.

O UNICEF destaca ainda uma “preocupação crescente com o bem-estar das crianças de Cabo Delgado, província do norte do país, afetadas por uma conjugação de fatores: deslocação, violência intensa e pobreza”.

Aquela região é atacada por grupos armados desde há dois anos e meio, com ataques reivindicados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico há um ano, provocando, pelo menos, 600 mortos e uma crise humanitária para 211.000 pessoas, dados da ONU.

De uma forma global, o UNICEF chama ainda a atenção para “uma redução agravada no acesso aos serviços de saúde essenciais devido a uma perturbação significativa do sistema de saúde”, o que pode “agravar a vulnerabilidade já existente em crianças que necessitam de vacinação, sofrem de doenças crónicas, vivem com uma deficiência ou são afetadas por doenças infeciosas comuns, como a malária”.

“Espero que esta informação faça começar uma reflexão e um diálogo construtivos a todos os níveis políticos e entre um vasto leque de atores para responder a esta emergência, recuperar o futuro das crianças e reimaginar um Moçambique adequado a cada criança depois de esta crise se atenuar”, conclui Katarina Johansson, representante do UNICEF em Moçambique.

Moçambique tem um total acumulado de 409 casos de infeção pelo novo coronavírus, dois mortos e 126 recuperados.

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