A unidade chinesa da Nexperia, a empresa adquirida pelo governo dos Países Baixos alegando motivos de segurança, já terá retomado a venda de chips para distribuidores locais, avança esta quinta-feira a agência noticiosa Reuters.
Recorde-se que o anúncio da aquisição da Nexperia pelo governo neerlandês levou a que a China proibisse a exportação. A empresa produz chips que são utilizados em várias áreas como computadores, automóveis elétricos e centros de dados de inteligência artificial.
De acordo com a Reuters a retoma da venda de chips, pela unidade chinesa da Nexperia, está apenas limitada ao comércio interno. A agência noticiosa reporta também que existem orientações no sentido de todas a vendas aos distribuidores serem liquidadas em yuan chinês, quando no período anterior à proibição se realizavam em moedas estrangeiras.
Existirão também instruções por parte da unidade chinesa da Nexperia para que os distribuidores também façam as transações com os seus clientes apenas em yuan com o objetivo de estabilizar o fornecimento na China e operar de forma mais independente da sede neerlandesa da Nexperia, avança a Reuters.
Apesar da empresa ter a sede nos Países Baixos a maioria dos chips é embalado na China. Nesse sentido, salienta a Reuters, a Nexperia estará à procura de parceiros alternativos de forma a reduzir a exposição à China.
O início do conflito, entre Países Baixos e China, ocorreu este mês, com o anúncio do governo dos Países Baixos da aquisição Nexperia. O executivo neerlandês invocou de forma “altamente excecional” a lei ‘Availability of Goods Act’, que numa tradução livre seria a ‘Lei da Disponibilidade de Bens’, devido a “sinais agudos de graves deficiências de governação” na empresa e por temer também a transferência de tecnologia para a empresa-mãe chinesa a Wingtech.
O governo dos Países Baixos alegou também que a “perda destas capacidades poderia representar um risco para a segurança económica holandesa e europeia”.
De acordo com a Reuters o governo não ficou com a propriedade da Nexperia mas terá o poder de reverter ou bloquear decisões tomadas pela administração que considere prejudiciais.
A Wingtech considerou, citada pela Reuters, que a intervenção do governo dos Países Baixos na Nexperia é uma “interferência excessiva motivada por um enviesamento geopolítico”. A Wingtech alegou também que os executivos não chineses da Nexperia “tentaram alterar à força” a estrutura acionista da empresa através de processos judiciais numa “tomada de poder disfarçada” sobre a empresa.
Já um porta-voz da Nexperia, citado pelo canal britânico BBC, referiu que a empresa “cumpre todas as leis e regulamentos existentes, controlos de exportação e regimes de sanções”.
A decisão do governo dos Países Baixos de adquirir a Nexperia acabou por não agradar as autoridades chineses. Face a isto a China decidiu impor uma proibição de exportação à Nexperia, como avançou o site NL Times.
O governo chinês considerou que a aquisição da Nexperia, pelo governo dos Países Baixos, é “extraordinariamente vergonhosa”, de acordo com o Global Times [transcrito pelo NL Times], que é controlado pelo Partido Comunista da China.
“Ninguém deve subestimar a determinação e a capacidade da China para defender os seus interesses. Isto não deve ser visto como um conflito entre o governo dos Países Baixos e uma empresa chinesa — é uma violação flagrante das regras internacionais por parte dos Países Baixos”, salienta o governo chinês, de acordo com o Global Times.
A Nexperia referiu que a sua subsidiária chinesa e os subcontratados estão proibidos de exportar determinados componentes acabados e produtos semiacabados desde 4 de outubro. A empresa, que tem uma fábrica em Dongguan (na China), tem a capacidade de produzir mais de 50 mil milhões de chips por ano, adiantou também que está em negociações com as autoridades chinesas para o levantamento das restrições.
“A Nexperia está a interagir ativamente com as autoridades chinesas para obter uma isenção destas restrições e mobilizou todos os recursos disponíveis para o efeito. Estamos em diálogo próximo com todas as autoridades governamentais nacionais e locais relevantes para mitigar o impacto desta medida”, disse a empresa, como transcrito pelo NL Times.
Tribunal afastou CEO chinês
De acordo com um documento consultado pela Reuters uma decisão do tribunal comercial de Amesterdão, de 7 de outubro, revela que o tribunal decidiu suspender o CEO da Wingtech, Zhang Xuezheng, do seu cargo de diretor executivo da Nexperia depois de ter encontrado “razões bem fundamentadas para duvidar” que a empresa estivesse a adotar uma política de gestão ou ações corretas de acordo com a lei civil dos Países Baixos.
A Reuters adiantou também que esta decisão do tribunal levou a que a Wingtech indica-se Guido Dierick para o cargo ocupado por Zhang Xuezheng, transferindo o controlo de quase todas as ações da Nexperia para um advogado dos Países Baixos responsável pela gestão. Esta decisão acabou por ter o apoio do Estado e do conselho laboral da empresa, salienta a agência noticiosa.
Wingtech entrou na lista ‘negra’ norte-americana
O canal britânico BBC recorda que a Wingtech, que detém a Nexperia, entrou em dezembro de 2024 para a chamada lista ‘negra’ norte-americana devido a preocupações de segurança nacional. O regulamento refere que as empresas norte-americanas estão proibidas de exportar produtos fabricados nos Estados Unidos para as empresas que integram essa lista, a não ser que tenham uma aprovação especial.
A BBC recordou que no Reino Unido a Nexperia teve de vender a fábrica de chips que tinha em Newport, depois de parlamentares e ministros terem levantado preocupações de segurança nacional.
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