UpHill: A startup portuguesa que quer melhorar a medicina com ajuda da tecnologia

“Nós não acreditamos que o conhecimento possa ser transmitido. O conhecimento aprende-se fazendo, e por isso temos como base de aprendizagem simulações clínicas”, garante Eduardo Freire Rodrigues, CEO da UpHill.

DR/ Eduardo Freire Rodrigues

A sabedoria sobre tratamentos e a atualização constante sobre novos tipos de diagnóstico são características que se esperam dos médicos. Mas as centenas de artigos científicos divulgadas todos os dias, nas mais diversas áreas da medicina, podem ser considerados desafios para os profissionais de saúde, uma vez que não têm tempo suficiente para ler todos os que são de interesse.

Foi com esta ideia em mente que nasceu a UpHill, entre o fim de 2015 e início de 2016. O projeto de Eduardo Freire Rodrigues, CEO e fundador da startup portuguesa, foca-se na necessidade dos profissionais de saúde em Portugal quando estes são “confrontados com a quantidade avassaladora de informação científica” existente.

Com a perceção que os profissionais de saúde precisavam de ajuda, devido à informação em constante atualização, Eduardo Freire Rodrigues, atualmente com 28 anos e professor na Universidade Nova, decidiu com dois colegas médicos “desenhar algumas soluções que permitiam aos profissionais de saúde simular a sua prática clínica e receber um relatório que compara as suas ações com a melhor evidência disponível para determinado diagnóstico”.

Ou seja, a UpHill tem linhas de orientação de atuação clínica para os profissionais de saúde simularem qual a melhor prática para atender determinado paciente e as suas necessidades clínicas, consoante novas práticas. O software da UpHill permite que os médicos se mantenham atualizados no campo de saúde, apostando atualmente em doenças raras e em insuficiência cardíaca, “uma das doenças mais prevalente em Portugal”.

Atualmente, a startup conta com uma equipa de dez pessoas, sendo auxiliada por alguns médicos, como é o exemplo de Marta Mendes Lopes, médica internista no Hospital Fernando Fonseca. Em março deste ano, a UpHill reuniu numa ronda de investimento cerca de 600 mil euros, tendo esta sido liderada pelo grupo Luz saúde, Busy Angels (agora Bynd Venture Capital) e Caixa Capital.

Neste momento a startup conta com 60 mil utilizadores, dos quais 15 mil médicos em Portugal, um valor que representa cerca de 30% dos profissionais da área. “Estamos nos principais hospitais privados do país”, declara Eduardo ao Jornal Económico. “Começámos no grupo Luz Saúde mas também já estamos em hospitais públicos, embora numa proporção muito reduzida ainda”, explica.

Eduardo considera que o setor privado foi a melhor aposta da startup “porque foi mais ágil e mais rápida” porque “enquanto startup tínhamos a necessidade de disseminar rapidamente a tecnologia”, embora tenha sido “uma casualidade”, assume. Além dos hospitais da Luz, também o José de Mello Saúde, que lidera a CUF, é cliente da UpHill.

O objetivo da equipa portuguesa é a expansão em Portugal mas também em alguns países da Europa.”Estamos a internacionalizar em algumas geografias, como é o caso da Holanda e de Espanha. São duas geografias em que estamos a ter alguma procura, sendo países que têm filiais de clientes nossos”.

Apesar de assumir felicidade com o reforço da ronda de investimento no início deste ano, o médio de 28 anos assume que “o objetivo é duplicar a base de utilizadores numa prazo de 12 meses e ter uma internacionalização forte nos dois países”.

Eduardo sustenta que, nos dias de hoje, “as ferramentas de treino [em medicina] estão muito focadas em dar tudo igual a toda a gente”, afirmando que esta técnica é “delimitante e bastante antiquada”, uma vez que atualmente a tecnologia pode ajudar em diagnósticos, partindo de pontos de partida diferentes. “Nós não acreditamos que o conhecimento possa ser transmitido. O conhecimento aprende-se fazendo, e por isso temos como base de aprendizagem simulações clínicas”, garante.

O médico de 28 anos vai ainda marcar presença na edição da Web Summit deste ano, com a UpHill, procurando espalhar a várias empresas como a startup funciona e como esta pretende auxiliar a medicina no mundo.

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