UTAD dá primeiro passo para o curso de Medicina

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro assinou um protocolo com o Centro Hospitalar para a criação de um Centro Académico Clínico. Na forja está o curso de Medicina. O ministro do Ensino Superior garante apoio ao projeto.

António Fontainhas Fernandes sela com chave de ouro oito anos de liderança na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Na cerimónia comemorativa dos 35 anos da UTAD teve o seu último ato público como Reitor: assinar, com Rita Castanheira, administradora do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, um protocolo para o estabelecimento de um Centro Académico Clínico, visando a criação de um curso de Medicina.

“A UTAD pretende avançar com um curso que vá mais além no estudo das doenças zoonóticas”, adiantou António Fontainhas Fernandes ao JE Universidades, explicando: “aprofundar esta problemática é cada vez mais relevante, pois este novo coronavírus passou de animais para humanos e embora esse processo esteja longe de estar conhecido, sabemos que as doenças zoonóticas, ou zoonoses, têm vindo a aumentar devido à pressão que o desenvolvimento económico exerce na natureza”. Trata-se, prosseguiu, de “uma clara manifestação da falta de equilíbrio da influência dos seres humanos na Terra, que se expressa também através das alterações climáticas”.

Fontainhas Fernandes destacou ainda ao JE Universidades a importância da Medicina para a fixação de médicos em regiões do interior, o que ficou claro na atual situação de pandemia.

Os 35 anos da UTAD foram assinalados dia 23 de março numa cerimónia limitada pela Covid-19, que contou com uma presença plena de significado: o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Manuel Heitor garantiu apoio ao projecto, adiantando que o primeiro passo é a constituição do grupo de trabalho que vai avançar com a criação do Centro Académico e Clínico, que poderá ser a base para um futuro curso de Medicina.

“É um protocolo para preparar uma proposta que tem o meu total apoio. Tem que ser, como todas as propostas, construída, desenvolvida e amadurecida”, afirmou.

Por seu turno, Fontainhas Fernandes fundamentou o projecto, destacando as competências da UTAD na área das zoonoses onde ministra um curso de Medicina Veterinária creditado internacionalmente. “Está na altura de criar condições para uma futura formação na área das doenças zoonóticas”, referiu.

 

O futuro
Numa cerimónia evocativa do passado, mas virada sobretudo para o amanhã, António Fontainhas Fernandes, que está à frente dos destinos da UTAD desde 2013, traçou uma visão esperançosa para o futuro da Universidade, enquanto espaço de desafios contínuos em tempos de revolução digital, de aceleração e transformação; um espaço de investigação e inovação, que estimule o conhecimento e onde a imaginação e a criatividade se traduzam em melhor educação.

“As universidades devem ser o exemplo” – afirmou, salientando o desafio global assumido pela sua equipa de atingir a neutralidade carbónica no campus nas próximas décadas. “O caminho que a UTAD tem trilhado nos últimos anos, certificando o ecocampus e reforçando a ligação à agenda 2030 da ONU e aos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, tornando a Universidade um local de encontros, de socialização e promotor de estilos de vida saudáveis”.

Manuel Heitor, que encerrou a sessão, expressou apreço e louvor pela obra do Reitor e pelo seu contributo para o ensino superior, enquanto presidente do Conselho de Reitores (CRUP). “Mais de 40% dos cidadãos residentes em Portugal entre 30 e 34 anos com o grau de ensino superior era um objetivo que muitos consideravam impossível de atingir, e se o atingimos foi graças a dois contratos de legislatura assinados entre todas instituições de ensino superior e o governo, no âmbito dos quais Fontainhas Fernandes teve um papel determinante”.

Em dia de celebração, coube a António Cunha, atual presidente da CCDR-N, antigo reitor da Universidade do Minho e antecessor de Fontainhas Fernandes no CRUP, proferiu a Lição de Sapiência, que subordinou ao tema: “Norte 2030: o desafio da criação de valor”. Também houve lugar para acarinhar o trabalho desenvolvido em prol da comunidade e assim foi outorgado o Prémio “Responsabilidade Social” ao Centro de Testagem Covid-19 da UTAD, nas pessoas das investigadoras Raquel Chaves, Paula Lopes e Filomena Adega. O centro trabalha em coordenação com o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e a ARS Norte que durante a pandemia tem vindo a desenvolver trabalho em prol da comunidade.

Outro momento digno de nota teve como protagonista o professor Fernando Nunes, investigador do Centro de Química de Vila Real, agraciado com o “Prémio Investigador 2020” da UTAD, devido ao elevado número de publicações em revistas científicas, número de patentes, financiamento obtido em projetos de investigação e orientação de doutoramentos.

As comemorações encerraram já noite alta com um concerto online. O pianista Bernardo Soares e o clarinetista Nuno Pinto renderam homenagem a Vila Real, num emotivo “De braços abertos à cidade”.

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