Valorizar o Montepio Geral, Associação Mutualista

Já não é uma das entidades de referência no financiamento e no apoio técnico das suas congéneres e deixou de participar nos principais fóruns de debate sobre sustentabilidade. É preciso inverter esta tendência.

Nunca o Mutualismo foi tão necessário como hoje e nunca se esperou tanto da Associação Mutualista Montepio Geral como entidade de referência da Economia Social em Portugal.

Efetivamente, quer o tempo presente quer os desafios do futuro, exigem uma oferta de uma entidade sólida, alicerçada na solidariedade intergeracional, interclassista e de partilha de riscos que caracteriza o Montepio.

Só uma organização com mais de um século de provas dadas e, ao mesmo tempo, com a capacidade de inovar, pode oferecer respostas de proteção social complementar eficazes, que nos protejam ao nível social e de saúde na longevidade, na mutação dos cenários laborais, na dinâmica das soluções habitacionais e na construção de uma sociedade global sem fronteiras e com qualidade de vida.

A Associação Mutualista, Montepio Geral tem, pelo seu passado, pela sua dimensão e, principalmente, pela qualidade dos seus quadros, a potencialidade e o dever de ser um verdadeiro farol da proteção social complementar em Portugal e um fio de prumo para o setor da economia social.

E, todavia, essa luz vem-se apagando gradualmente nos últimos anos. Raramente ouvimos agora a sua voz quando se trata de temas estruturais da sociedade portuguesa como a Pobreza, os desafios do Envelhecimento, o Acolhimento de Refugiados, a defesa da Diversidade ou a promoção da empregabilidade.

Já não é uma das entidades de referência no financiamento e no apoio técnico das suas congéneres e deixou de participar nos principais fóruns de debate sobre sustentabilidade. Deixou de estimular a inovação nas respostas sociais. Desinvestiu na avaliação do impacto e na capacitação dos quadros da economia social.

Interrompeu muitas das parcerias com as estruturas académicas promotoras da formação nos domínios da economia social e do mutualismo. Abandonou projetos de que foi fundadora nas áreas da colaboração, da formação empática, na integração dos públicos mais vulneráveis. Reduziu o seu envolvimento no voluntariado. Não divulga nem valoriza a sua atividade internacional no contexto da AIM.

Não luta pelo reconhecimento da Associação Portuguesa das Mutualidades como estrutura de cúpula. Não defende a sua natureza única junto dos supervisores. Não comunica adequadamente com os seus associados, nem os envolve densificação do conceito de solidariedade interessada.

É preciso, com urgência, inverter esta tendência de silenciamento e de desvalorização do mutualismo e da sua mensagem de esperança.

Defendemos, por isso, o regresso de uma Associação Mutualista orgulhosa da sua especificidade- que volte a ser o exemplo, como par, como estimulador da economia social e como suporte do seu crescimento e desenvolvimento; que seja o parceiro incontornável do setor público na construção dos modelos da proteção social, na reflexão sobre a sua sustentabilidade, na criação de novas soluções para novos públicos e para novas eventualidades e que deva apoiar e o ensino superior na oferta de formação em economia social e solidária.

Defendemos que o Montepio Geral, Associação Mutualista, deve ser a primeira escolha de qualquer entidade congénere quando quiser inovar, experimentar e construir o futuro.

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