Venda de ações reforça noção que a CTG vê a EDP como investimento financeiro, diz o BPI

A estatal chinesa lançou uma OPA sobre a totalidade da EDP em maio de 2018, mas desistiu após a alteração dos estatutos para acabar com o limite de votos de 25% por acionista ter sido chumbada. Desde essa altura, vendeu 1,8% em fevereiro de 2020, mas reforçou no aumento de capital em agosto.

EDP

A venda de 100 milhões de ações da EDP Energias de Portugal pela China Three Gorges (CTG) reforça a ideia que a estatal chinesa tornou-se num “investidor financeiro” na energética portuguesa, afirmaram esta sexta-feira os analistas dos CaixaBank BPI.

A CTG arrecadou 534 milhões de euros com a venda da de 100 milhões de ações da EDP Energias de Portugal, equivalente a 2,5% da empresa, informou esta quinta-feira a energética portuguesa. Os analistas do CaixaBank BPI salientaram que o preço de venda, de 5,34 euros por ação, representou um desconto de 1% face à cotação de fecho de quinta-feira, que foi de 5,394 euros.

A cotação do título da energética, que atingiu um novo máximo histórico de 5,63 euros no dia 8 de janeiro, disparou 36,54% nos últimos 12 meses. Esta sexta-feira as ações descem 0,56% para 5,36 euros, numa sessão em que o índice PSI 20 recua 1,30%

A EDP adiantou que a CTG passa agora a deter uma participação de 19% , depois da venda, que foi feita via oferta particular através de processo de accelerated bookbuilding dirigido exclusivamente a investidores institucionais.

A energética recordou que a transação complementará outros ajustes na posição da CTG no capital social da EDP nos últimos 12 meses, como a venda de uma participação de 1,8% do capital social em fevereiro de 2020, na altura por 293 milhões de euros, bem como a subscrição do aumento de capital de mil milhões de euros em agosto de 2020, no qual a CTG reforçou a posição acionista.

“Na sequência desta transação, a CTG continuará a apoiar a parceira estratégica estabelecida entre a EDP e a CTG há mais de nove anos, e que é um pilar fundamental da estratégia internacional da CTG”, adiantou a empresa liderada por Miguel Stilwell.

A estatal chinesa lançou uma Oferta Pública de Aquisição sobre a totalidade da EDP em maio de 2018, mas desistiu da tentativa após uma proposta de alteração dos estatutos para acabar com o limite de votos de 25% por acionista ter sido chumbado na assembleia geral de 24 de abril de 2019 .

Durante esse processo, a participação da CNIC também foi imputada à República Popular da China, que dessa forma na altura tinha um total 28,25% dos direitos de voto da energética portuguesa.

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