Verdes e soberanas

Contrariamente ao que poderia pensar-se, a recessão provocada pela Covid-19 não alterou as prioridades da Europa nos objetivos ligados ao ambiente.

Poderia pensar-se que a recessão provocada pela Covid-19 iria alterar as prioridades da Europa nos objetivos ligados ao ambiente. Aquilo que se observa é precisamente o contrário. Angela Merkel e outros líderes europeus já deram a entender que grande parte dos fundos destinados à recuperação económica terão de ser aplicados em projetos “verdes”, o que sinaliza a vontade política em torno da matéria.

Outro sinal claro de manutenção dos objetivos em termos ambientais é a colocação de “green bonds” por cada vez mais instituições e, sobretudo, a futura emissão destes títulos pelos próprios países. Ou seja, haverá mais dívida pública “verde” em breve.

As “green bonds” são títulos de dívida em que o emitente levanta dinheiro que será utilizado para financiar projetos que ajudem a proteger o ambiente. Para que uma obrigação seja classificada como “verde”, tem de estar em conformidade com um conjunto de princípios que estabelecem requisitos de transparência e de reporte que garantam a aplicação dos fundos. Nota-se um grande interesse do mercado por ativos com objetivos que privilegiem ambiente, sociedade e sustentabilidade.

Já vários países emitiram “obrigações verdes” no passado, com a França a ser o principal emitente, seguida da Holanda e Bélgica. Há muitas emissões em preparação, em países como Itália, Espanha, Polónia ou Suécia. Mas o facto de a Alemanha ter anunciado que irá emitir obrigações soberanas deste tipo no final deste ano é particularmente relevante, porque as “green bonds” poderão tornar-se os títulos de referência para o cálculo da taxa de juro “sem risco”.

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