Vereador do Bloco vai ganhar milhões com prédio em Alfama

O vereador vai ganhar milhões com a venda de um prédio, que em 2014 comprou por 347 mil euros. Hoje o edifício totalmente reabilitado vale 5,7 milhões de euros.

Cristina Bernardo

O vereador do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Lisboa (CML), Ricardo Robles, é um dos mais ferozes críticos da especulação imobiliária, mas é também um investidor de sucesso. O vereador vai ganhar milhões com a venda de um prédio, que em 2014 comprou por 347 mil euros. Hoje o edifício totalmente reabilitado vale 5,7 milhões de euros.

Uma investigação feita pelo Jornal Económico revela que Ricardo Robles, juntamente com a irmã, terá adquirido em 2014, um velho edifício de três pisos à Segurança Social. Os dois irmãos pagaram pelo imóvel, situado na Rua do Terreiro do Trigo, uma zona privilegiada de Alfama, 347 mil euros. Depois disso, investiram 650 mil euros em obras e chegaram a concordo com a maioria dos inquilinos para rescindir os contratos de arrendamento.

No final de 2017, com o edifício reabilitado e com mais um andar, foi avaliado em 5,7 milhões de euros, o que corresponde a 29 mil euros por metro quadrado. Os dois irmãos terão uma mais-valia potencial de 4,7 milhões de euros.

Questionado pelo jornal, Ricardo Robles nega ter despejado os inquilinos aquando da compra do imóvel e garante que “não existe contradição”. “Imediatamente após a aquisição do prédio, fui notificado pela CML para realizar obras considerando o mau estado do imóvel e a falta de segurança de pessoas e bens. De imediato transmiti aos inquilinos a minha intenção de manter os seus arrendamentos, se assim quisessem, e regularizei o arrendamento do casal que ocupava a única fração de habitação do prédio”, explica o vereador da Câmara de Lisboa.

“A necessidade de realizar obras profundas de reabilitação do prédio, inclusivamente no interior das frações, implicou a libertação temporária dos espaços, que foi acordada com os inquilinos”, conta. “O único inquilino que não esteve de acordo com a libertação do espaço durante o período das obras foi o da loja nº14. Isto apesar da minha proposta de continuidade do arrendamento após as obras, com uma atualização de renda de 270 para 400 euros. Este valor está abaixo do que a lei Cristas permitiria fazer e dos preços de mercado para um estabelecimento de restauração em Lisboa e em particular naquela zona”.

“A minha conduta como co-proprietário deste imóvel em nada diminui a legitimidade das minhas propostas para parar os despejos, construir mais habitação pública e garantir o direito à cidade”, sublinha.

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