Viagens que não são na minha terra

Recentemente tive a oportunidade, ou o sacrifício, de ter que fazer mais de oito horas de viagem num comboio (a bem da verdade foram várias viagens em vários comboios para chegar a um destino). Fi-lo por razões profissionais e decorrente dessa necessidade. Nesta viagem passei a fronteira de dois países, e atravessei muitas regiões de […]

Recentemente tive a oportunidade, ou o sacrifício, de ter que fazer mais de oito horas de viagem num comboio (a bem da verdade foram várias viagens em vários comboios para chegar a um destino). Fi-lo por razões profissionais e decorrente dessa necessidade.

Nesta viagem passei a fronteira de dois países, e atravessei muitas regiões de um país bem maior do que Portugal. Mudei de comboio em estações grandes e pequenas. As viagens não foram perfeitas, mas resolveram o problema da distância e de ligações aéreas pouco recomendáveis. Penso, e seria difícil comparar a distância percorrida, que em situação mais ou menos idêntica em Portugal tudo isto seria bem mais complexo de ultrapassar.

O debate sobre os nossos serviços ferroviários não é de hoje, e tem sido um assunto recorrente. Em muitas zonas (talvez em quase todas) do interior do país, quem não tem carro à sua disposição encontra grandes dificuldades de mobilidade, especialmente na ferrovia. Sendo este um importante ponto de desenvolvimento do país, cada vez que me deparo com realidades diferentes da nossa, diferentes para melhor, dou comigo a pensar que este assunto deveria ser melhorado em Portugal.

E refiro-me até a um mais igualitário acesso a serviços e produtos por parte da população, de toda a população, do país. Especialmente aqueles que têm mais dificuldade económicas ou de mobilidade, de entre eles, jovens sem carta, famílias com carrinhos de bebés e pessoas em cadeiras de rodas, mas não só.

Mas não falamos só de uma sociedade mais igualitária onde um acesso mais generalizado a meios de transportes, neste caso ferroviários, seja importante, eu diria mesmo que central. Vejo, por exemplo, aspectos como os ambientais e até de crescimento económico como pontos adicionais e benéficos do desenvolvimento e manutenção do sector ferroviário em Portugal. Sei que nada disto é novo, mas é um assunto a não esquecer. Aliás, recentemente, no Parlamento, este assunto foi abordado e foi garantido pelo presidente do Instituto de Mobilidade e dos Transportes que havia um grande investimento a ser feito neste sector, que era este um objectivo governamental. Assim se espera,e  que se passe das palavras às acções… é que as nossas experiências com o sector ferroviário não são sempre as melhores. Lembro-me sempre, com desagrado, de uma viagem que fiz entre Madrid e Lisboa de comboio, mais de oito horas de terror.

 

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