A empresa de processamento de pagamentos Visa encerrou as suas operações de open banking nos Estados Unidos, noticiou a Reuters que cita uma fonte familiarizada com o assunto.
A Visa alega que as incertezas regulatórias sobre os direitos de dados dos consumidores motivaram a decisão de encerrar as operações no país.
Em alternativa “estamos a concentrar a nossa estratégia de open banking em mercados de elevado potencial, como a Europa e a América Latina”, afirmou um porta-voz da Visa em comunicado, citado pela Reuters.
A decisão da Visa de abandonar o Open Banking nos EUA enquanto o debate sobre acesso a dados se intensifica ocorre num momento em que o JPMorgan Chase planeia começar a cobrar taxas que podem chegar a centenas de milhões de dólares pelo acesso às informações bancárias dos seus clientes, tal como noticiou a Bloomberg em julho.
Há nos Estados Unidos um aumento das tensões entre bancos e fintechs sobre o acesso aos dados dos clientes.
A Visa disponibiliza ferramentas para as fintechs facilitarem o acesso aos dados bancários, ajudando-as a oferecer registos e transferências de dinheiro mais simples.
No entanto, as disputas entre bancos e fintechs alimentaram dúvidas sobre o futuro do open banking.
Para além do JP Morgan que anunciou que as fintechs teriam de pagar taxas potencialmente elevadas para aceder aos dados dos seus clientes, também o CEO do PNC Financial, Bill Demchak, afirmou que o seu banco estava a considerar tal medida.
Os bancos afirmam que estas taxas são necessárias para recuperar o custo de proteção e entrega dos dados dos clientes, enquanto as fintechs argumentam que os bancos não deveriam ter permissão para cobrar por informações que pertencem aos clientes, e que essas taxas prejudicam os seus negócios.
A Reuters lembra que no mês passado, o sócio geral da gigante de capital de risco Andreessen Horowitz, Alex Rampell, comparou as taxas à “Operação Chokepoint 3.0”, uma estratégia histórica na qual os reguladores alegadamente restringiram o acesso de certos setores aos serviços financeiros.
O open banking ganhou força na Europa, com os reguladores europeus a exigirem que os bancos partilhem dados dos clientes com terceiros autorizados (fintechs), mas os EUA não têm tais regras, deixando a opção de adoção do open banking para acordos privados.
A Reuters diz que estão, no entanto, em curso esforços para clarificar a estrutura nos EUA. Na quinta-feira, o Consumer Financial Protection Bureau (Consumidor) deu início a uma reformulação dos seus regulamentos que regem o controlo dos consumidores sobre a partilha dos seus dados pessoais entre bancos e fintechs.
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