“Praia, comida e vinho ajudaram”. O que dizem os estrangeiros que montam negócios em Portugal

A próxima edição do “Launch in Lisbon”, organizado pela incubadora Startup Lisboa para ajudar empreendedores e freelancers estrangeiros que pretendam instalar um negócio em Portugal, realiza-se entre os dias 4 e 8 de março. O Jornal Económico falou com Jeferson Valadares e Wendy van Leeuwen, que já se renderam à capital portuguesa.

A incubadora nacional Startup Lisboa já está a receber candidaturas para nova edição do programa de apoio a empreendedores e freelancers estrangeiros que pretendam instalar um negócio em Portugal. O próximo “Launch in Lisbon” terá a duração de cinco dias (entre 4 e 8 de março), com um calendário de office hours (tempo one-on-one entre parceiros e empresas) mais prolongado.

Nas três primeiras edições estiveram quase quatro dezenas de empresários oriundos de 19 países diferentes, como Estados Unidos, Brasil, França, Reino Unido, Rússia ou África do Sul. O Jornal Económico falou com dois estrangeiros que, depois de participar nesta iniciativa, acabaram por fazer as malas e mudar-se para a capital portuguesa ou estabelecer uma subsidiária no país.

Jeferson Valadares já conhecia o ‘Velho Continente’, depois de ter morado quatro anos em Londres e dois em Helsínquia. Assim que cursou o programa da Startup Lisboa, em 2018, voou de vez até Portugal.

“Nos últimos oito anos estava a morar em São Francisco, na Califórnia, e quando decidi abrir uma empresa ficou claro para mim que teria de fazer isso em Lisboa. Apesar da reputação de Silicon Valley, não seria uma boa ideia, por duas razões principais: um custo de vida extremamente alto e o facto de que é muito difícil manter uma equipa junta. Por exemplo, no meu último ano como vice-presidente de uma empresa de jogos [Bandai Namco Entertainment America], perdi uma pessoa após dois meses para a Apple e outra após setes meses para a Google”, conta ao jornal.

Wendy van Leeuwen, co-fundadora da Secret City Trails, criou a sua empresa de jogos de aventura na Holanda, na altura ainda enquanto um projeto paralelo. Lado-a-lado com Kristina Palovicova e com o investimento da Speedinvest, foi vendo a sua web app ganhar cada vez mais adeptos. No ano passado, assentou arraiais em Lisboa, cidade que a apaixonou também pela gastronomia. No entanto, o arranque não foi fácil, por causa da burocracia e do idioma.

“Registámos o nosso negócio em março de 2018. Não foi simples. Enquanto ainda estamos aprender a língua e com tudo em português lutamos um pouco. Também precisávamos de um advogado, de muitos seguros para começar a contratar. Desde o primeiro dia, mesmo quando não pagas um salário, já tens que pagar uma contribuição social para o Estado”, explicou Wendy.

Ao participar na “The Journey from Beta-i”, um programa para ajudar inovadores do turismo a estabelecerem parcerias comerciais, e ao fazer parte da carteira de micronegócios da Startup Lisboa, a adaptação tornou-se mais simples.  A sua startup está agora presente em Amesterdão, Barcelona, Bratislava, Bordéus, Colónia, Genebra, Haarlem e San Sebastián.

“Aprendemos sobre a inovação que acontece em Lisboa e no país e sobre os talentos que poderíamos contratar no futuro. Claro que o sol, praias incríveis, boa comida e vinho também ajudaram”, relata a jovem empresária que trabalhou para a Booking.com como gestora de programas para o seu fundo e acelerador de turismo sustentável [Booking Booster].

Jeferson Valadares confessa que Portugal não estava nos seus planos iniciais, mas bastaram duas semanas de pesquisa para a cidade captar a sua atenção, e montou um negócio logo em abril. Hoje é CEO da Doppio Games, uma empresa que desenvolve jogos controlados por voz. O primeiro jogo da empresa, “The Vortex”, já está disponível para Amazon Alexa e daqui a algumas semanas também estará no Google Assistant.

“O custo menor ajuda, apesar que ter de ser balanceado por uma maior necessidade de investimento em talento do que em Londres, por exemplo, visto que o talento da área de jogos aqui em Lisboa/Portugal é mais ‘cru’: muito bom de base mas com pouca vivência de negócios de grande porte”, diz o empresário brasileiro.

Aquando da chegada a Portugal,  Jeferson recorreu a incubadoras (Startup Lisboa, Beta-i), a entidades públicas, como a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Startup Portugal, a investidores de risco (Indico, Faber, Mogope), a universidades (Técnico, Aveiro, Coimbra) e ao escritório de advogados Vasconcelos Arruda.

Como posso participar no programa?

  • Fazer a inscrição até 17 de fevereiro de 2019 no site da Startup Lisboa
  • Pagar 725 euros (+IVA) ou 600 euros (+IVA) se me inscrever até dia 31 de janeiro

Num inquérito realizado aos Alumni do “Launch in Lisbon”, a maioria (75%) diz que o programa fez com que mudassem o processo de instalação dos seus negócios em Lisboa. “Este programa tornou-se uma iniciativa de referência na atividade da Startup Lisboa. Com ela temos conseguido atrair talento e investimento e temos também criado projetos de alto valor acrescentado para a sociedade, contribuindo para uma Lisboa mais inovadora e criativa”, afirma Miguel Fontes, diretor executivo da incubadora fundada pela CML, pelo Montepio e pelo IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação.

A consultora Deloitte, a empresa de recursos humanos Hays, a imobiliária JLL, a consultora Moss&Cooper e a sociedade de advogados PLMJ são os parceiros que encarregar-se-ão de partilhar a sua experiência e conhecimento sobre a chegada de um não-residente a Portugal, através de sessões lecionadas inglês. Entre os módulos estão “Subsidies and Grants”, “Corporate Law”, “Corporate Tax” ou “Personal Tax”. No entanto, o plano também prevê visitas a startups, incubadoras e aceleradoras portuguesas (“Ecosystem Tours”) e um workshop sobre investimento.

Ler mais

Recomendadas

PremiumDeloitte vai quase duplicar soluções na “App Store fiscal”

Os programadores da consultora irão, até ao final do ano, desenvolver mais aplicações móveis para automatizar os processos fiscais das empresas.

Operação Lex: Ordem dos Advogados vê com “grande preocupação” viciação do sorteio de processos em tribunais

A Ordem dos Advogados vê com “grande preocupação” a possibilidade de viciação do sistema electrónico de distribuição de processos nos Tribunais portugueses e apela a que o Conselho Superior de Magistratura assegure que este tipo de práticas “não poderá repetir-se”, depois de notícias que dão conta de que o ex-presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Vaz das Neves, foi constituído arguido no processo Operação Lex, por aquele tipo de suspeitas de viciação.

PremiumNuno Faria: “Negócios entre Portugal e Irão estão em ponto morto”

O advogado Nuno Pinto Coelho de Faria realça que a escalada das tensões no Médio Oriente travou contactos “muitíssimo evoluídos” no setor farmacêutico.
Comentários