Vladimir Putin chamou esta quarta-feira “porcos” aos líderes europeus. Num momento em que a Rússia e a Ucrânia tentam chegar a um acordo, o presidente russo expôs publicamente o seu pensamento sobre os seus homólogos europeus.
“Todos pensavam que conseguiam destruir a Rússia num curto espaço de tempo. E os porcos europeus juntaram-se imediatamente ao anterior governo americano na esperança de lucrar com o colapso da nossa economia”, afirmou Putin hoje em Moscovo citado pela “Associated Press”.
E avisou que está preparado para voltar a pegar em armas, ou continuar a usá-las, se os aliados russos não cederem aos desejos do Kremlin.
As declarações têm lugar num momento em que o presidente Donald Trump lançou uma iniciativa diplomática para tentar colocar fim à invasão russa, ou pelo menos, ao conflito entre Kiev e Moscovo na Ucrânia.
A vontade do Kremlin? “Eliminar as causas do conflito” através da diplomacia. Caso contrário, “a Rússia vai atingir a libertação das terras históricas recorrendo a meios militares”, isto é, as cinco regiões ucranianas anexadas desde 2014: primeiro a Crimeia, depois em 2022, Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson.
O líder russo tem dúvidas que as “atuais elites políticas” europeias permitam um acordo para a Ucrânia, apesar da vontade da Casa Branca.
“O exército russo capturou e mantém uma iniciativa estratégia em toda a linha da frente”. Moscovo está disposto a expandir a “sua zona tampão de segurança” ao longo da fronteira russa, isto é, capturar mais território ucraniano.
“As nossas tropas estão diferentes agora: têm experiência de combate e não existe nenhum exército semelhante no mundo”, defendeu num encontro com responsáveis da Defesa russa em Moscovo.
As negociações têm lugar há várias semanas, e pelo meio, Vladimir Putin defendeu que a Rússia precisa de “manter o desenvolvimento de forças nucleares estratégicas”, que a Marinha russa recebeu novos submarinos este ano, assim como 19 navios, e que o novo míssil balístico hipersónico russo Oreshnik estará disponível ainda este ano.
O presidente ucraniano disse esta semana que o acordo de paz para a Ucrânia poderá estar fechado no espaço de dias.
O Kremlin quer manter as cinco regiões e que a Ucrânia retire-se de várias áreas que ainda não foram capturadas sequer. E que Kiev abandone planos de entrar na NATO e que não aceita tropas estrangeiras na Ucrânia.
Volodymyr Zelenskyy deixou cair a sua ideia de juntar-se à NATO, mas exige garantias de segurança aos aliados. No entanto, Kiev considera que juntar-se à NATO é a melhor forma de travar uma futura agressão russa.
Já as retiradas de tropas ucranianas de áreas não conquistadas foi rejeitada completamente, com o líder ucraniano a considerar que o plano “não é perfeito”, mas capaz de ser alterado.
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