Volt: o que defende o movimento que quer ser a 26.ª força política em Portugal?

O movimento Volt Portugal entregou esta quarta-feira cerca de nove mil assinaturas no Tribunal Constitucional para ser constituído como 26.ª força política em Portugal.

O Volt Portugal é um movimento pan-europeu, que não se assume de direita nem de esquerda e que quer “mudar para sempre a política europeia e nacional”. O movimento não se conseguiu oficializar partido a tempo das eleições legislativas, mas com a entrega de cerca de nove mil assinaturas no Tribunal Constitucional está mais perto de se constituir como 26.ª força política em Portugal.

O movimento Volt foi criado após o anúncio da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e que já se consagrou como partido em vários Estados-membros da UE, nomeadamente na Alemanha, Bélgica, Bulgária, Espanha, Holanda, Itália e Suécia. Tal como o JE já tinha noticiado e julho de 2018, Tiago Matos Gomes, fundador e presidente do Volt Portugal, que se pode dizer que “o Volt surgiu contra o populismo e contra o nacionalismo”.

Tiago Matos Gomes conta que o projeto surgiu “por iniciativa de um grupo de amigos que na altura estavam a estudar nos Estados Unidos, entre os quais Andrea Venzon, o fundador e presidente do Volt Europa” e “rapidamente começaram a surgir pessoas de todos os Estados-membros da UE que se fizeram membros e criaram equipas nos seus países e nas suas cidades”. Foi o caso de Portugal, indica.

O fundador do movimento explica que a escolha do nome Volt vem de “voltagem”. “O nome significa que queremos dar um novo impulso e energia a Portugal e à Europa. Queremos ser diferentes e mudar a forma como se faz política nos nossos Estados e na UE. Tirando casos pontuais, não temos experiência política, não temos os vícios dos partidos clássicos. E isso é uma mais-valia no nosso entender. É sangue novo que está a entrar na política”, indica Tiago Matos Gomes.

O movimento propõe cinco desafios fundamentais que “cada Estado europeu precisa abordar”: Estado eficiente, renascimento económico, igualdade social, equilíbrio global e fortalecimento do cidadão.

O Volt Portugal defende que o Estado “deve intervir de forma tão rápida quanto possível” e deve ser reduzido o desperdício, aumentando o desempenho e a atratividade dos serviços públicos e equilibrando as pressões fiscais e acabando com a evasão fiscal. Diz ainda que “as economias europeias precisam de voltar a ser o motor do progresso da sociedade e permitir um padrão de vida decente para todos os cidadãos” e garantir igualdade de oportunidades a todos os cidadãos.

Os subscritores do movimento querem ainda um sistema de acolhimento de refugiados local e regional e combater os extremismos e a radicalização. O combate às alterações climáticas e o aumento a participação democrática dos cidadãos.

O movimento propõe-se ainda a reformar a UE. “A União Europeia precisa de ser legitimada de forma totalmente democrática, focada em competências onde pode agregar o maior valor e trabalhar com processos de decisão eficientes e positivos (por exemplo, através da criação de um sistema totalmente parlamentar, de uma política de assento único, de um programa de investimento europeu, da aplicação do princípio da subsidariedade)”, explica o Volt Portugal.

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Por seu lado, João Paulo Correia socorreu-se do argumento também defendido pela ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e considerou que quem vota contra “não está interessado em melhorar o Orçamento na especialidade”.
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