Wall Street à espera da reunião da Fed

Para esta semana as atenções estarão concentradas na reunião da Fed que acaba na quarta-feira, de onde não se espera que saia uma descida dos juros.

Reuters

Não obstante a instabilidade vivida ou tão pouco as perdas verificadas na sexta-feira, Wall Street acabou por conseguir registar um ganho na semana passada, averbando assim a segunda consecutiva a subir e após uma valorização considerável no período anterior. É certo que os valores foram pouco expressivos, entre os 0.4% no Dow Jones e os 0.7% no Nasdaq, contudo é importante colocar em perspectiva, nomeadamente que são avanços conseguidos muito perto de máximos históricos, sendo que é de realçar a pouca envolvência dos investidores nessa performance, visto que o volume nos últimos dias não chegou a tocar nos 6 biliões de negócios transaccionados, bem abaixo da média dos 7 biliões registados em dias normais e sem grande notícias.

Na história de sexta-feira o principal ponto de destaque foram os dados económicos, que apesar do carácter misto na sua qualidade, foram tidos como um ponto demonstrador de que a maior economia do mundo poderá não precisar urgentemente de juros mais baixos. Referi de qualidade neutral, dado que nas vendas a retalho houve uma melhoria do valor do mês passado, mas para o mês em análise, Maio, os 0.5% de crescimento foram abaixo dos 0.6%, embora há que referir que excluindo algumas componentes mais voláteis o número superou as previsões. Igualmente bullish foi a produção industrial que com um ganho de 0.4% superou os 0.2% antecipados, mas de novo e um pouco mais tarde foi anunciado o importante sentimento da Universidade de Michigan que desapontou face às expectativas, ou seja, no final um cenário com prós e contras.

Uma nota para a produção industrial na China que cresceu ao ritmo mais baixo dos últimos 17 anos, ainda assim nos 5%. Ao nível dos sectores a questão do conflito comercial afectou de sobremaneira os semicondutores, após a Broadcom ter perdido -5.6% do seu valor e no seguimento do alerta que efectuou sobre uma redução de $2 biliões nas suas receitas para o corrente ano, devido às restrições nas relações comerciais com a Huawei impostas por Trump. O pessimismo no índice do sector, o SOXX, foi evidente, com uma desvalorização de -2.6%, o que por sua vez afectou o Nasdaq, empurrando-o para a pior performance do dia com uma perda de -0.52%.

No mercado cambial o cenário económico considerado positivo pelos investidores permitiu ao U.S dólar um ganho de 0.4% contra um cabaz de outras moedas principais, relegando o Euro e a Libra para desvalorizações de -0.6% e -0.7%. Para esta semana as atenções estarão concentradas na reunião do FED que acaba na quarta-feira, de onde não se espera que saia uma descida dos juros, embora o mercado aguarde por referências mais dovish por parte dos membros do board, criando as condições para uma redução do custo do dinheiro em Julho, altura em que os futuros dos FED funds apontam uma probabilidade superior a 80% de ocorrer um corte.

O gráfico de hoje é do Apple, o time-frame é Semanal

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