Wall Street em queda depois de Trump admitir adiamento do acordo comercial com a China para 2020

Em declarações à CNBC, Donald Trump referiu que “não temos uma data limite [para assinar um acordo], e se me perguntarem, prefiro esperar depois das eleições para assinar um acordo”.

Reuters

A bolsa de Nova Iorque abriu com perdas esta terça-feira. O sentimento do mercado está a ser penalizado pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse poder adiar um acordo comercial com a China para depois das eleições presidenciais norte-americanas.

Momentos após o início da sessão, os três principais índices em Wall Street perdiam mais de 1%. O S&P 500 caía 1,12%, para 3.079,04 pontos; o tecnológico Nasdaq desvalorizava 1,40%, para 8.447,96 pontos; e o industrial Dow Jones cedia 1,18%, para 27.454,61 pontos.

Em declarações à “CNBC”, Donald Trump referiu que “não temos uma data limite [para assinar um acordo], e se me perguntarem, prefiro esperar depois das eleições para assinar um acordo”. “Gosto da ideia de esperar até assinar um acordo com a China”, prosseguiu o presidente norte-americano. “Eles querem assinar agora, mas teríamos de ver se é ou não adequado”, frisou Donald Trump.

Estas declarações parecem deitar por terra a hipótese, que tem sido veículada na comunicação social internacional, que um acordo de primeira fase poderia ser assinado durante este mês entre as duas maiores potências económicas mundiais. “O mercado está agora a assimilar que esse entendimento deverá chegar somente em 2020 e o facto de estar previsto para 15 de dezembro a aplicação de tarifas adicionais dos EUA às importações chinesas traz novas tensões comerciais”, disse Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium bcp.

De resto, Donald Trump recorreu ontem ao rede social Twitter para anunciar a reintrodução de tarifas às exportações de aço e de alumínio do Brasil e da Argentina “com efeitos imediatos”. O presidente norte-americano abriu depois uma nova frente na guerra comercial, desta vez contra a França, depois de impor tarifas no valor de quatro mil milhões de dólares. Emmanuel Macron, presidente francês, disse que iria retaliar, com uma réplica “forte”.

Na segunda-feira, terminou a época de compras antes do Natal nos EUA com a Cyber Monday. Foram gastos 9,2 mil milhões de dólares na Cyber Monday, um montante recorde traduzido num aumento de 17% face ao ano anterior. No entanto, no setor do retalho, a Amazon perde 1,62%, a Target cede 0,83%, a Walmart desvaloriza 0,91% e a Best Buy cai 2,32%.

Noutros setores, as empresas mais expostas à evolução das negociações comerciais com a China estão em queda. No setor dos semicondutores, a Micron perde 3,44%, a Nvdia cai 3,69% e a qualcom perde 2,29%. Também a Caterpillar, com forte exposição ao mercado chinês, desvaloriza 2,86%.

Na tecnologia, a Netflix perde 1,95% depois de o Citi ter cortado o preço da ação.

Nas matérias-primas, preço do petróelo está a cair. Nos EUA, o West Texas Intermediate perde 0,34%, para 55,77 dólares. Na Europa, o Brent cede 0,36%, para 60,70 dólares.

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A penalizar a praça lisboeta estão títulos como o BCP, que perde 0,92%, NOS, que desvaloriza 1,64%, ou Mota-Engil, que cai 1,22%. A alemã Wirecard está a subir mais de 3% depois de a ‘Bloomberg’ avançar que Deutsche Bank está interessado na unidade financeira da empresa.
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