Web Summit: anunciados 190 milhões de euros para PME portuguesas inovadoras

São dois fundos anunciados durante a Web Summit. Ambos beneficiam do apoio do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE), que está no âmago do Plano de Investimento para a Europa – o Plano Juncker

Cristina Bernardo

O Fundo Europeu de Investimento (FEI), com o apoio do mecanismo InnovFin Equity e do programa COSME EFG, está a investir em dois fundos de capital próprio em Portugal – Vallis Capital Partners e Mustard Seed MAZE Social Entrepreneurship Fund I. Estes investimentos beneficiam do apoio do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE), o cerne do Plano de Investimento para a Europa.

O FEI apoia investimentos no valor de 190 milhões de euros destinados a empresas portuguesas inovadoras com base em dois novos fundos de capital próprio geridos pela Vallis Capital Partners e pela Mustard Seed MAZE.
Estes fundos beneficiam do apoio da UE no âmbito do mecanismo InnovFin Capital Próprio, do programa COSME EFG e do Plano Juncker. Estes dois fundos foram lançados na Web Summit 2018, em Lisboa, pelo Comissário Carlos Moedas, pelo FEI e por representantes da Vallis Capital Partners e da Mustard Seed MAZE.

“Sendo o primeiro fundo de investimento de impacto social em Portugal, espera-se que o Mustard Seed Maze Social Entrepreneurshipvenha a ser um fator de mudança no mercado português. Proporcionará a primeira fonte de financiamento estável para os modelos empresariais de inovação social mais promissores em Portugal. Os investimentos do fundo Vallis Capital Partners destinar-se-ão a apoiar as dinâmicas de sustentabilidade, incluindo setores relacionados com o crescimento demográfico e a escassez de recursos naturais”, avança a Comissão Europeia em comunicado.

A Vallis Capital Partners lançou um fundo vocacionado para o mercado inferior-médio no montante de 150 milhões, o Vallis Sustainable Investments II, que se destina às PME portuguesas nos próximos 5 anos. O investimento do FEI beneficia do apoio da UE no âmbito do programa COSME financiado pela Comissão Europeia.

O Mustard Seed MAZE Social Entrepreneurship Fund I  é um fundo de investimento com impacto social, no valor de 40 milhões, que investe em empresas sociais em Portugal e que terá o apoio da vertente PME em fase precoce do mecanismo InnovFin Capital Próprio, ao abrigo do Horizonte 2020 – o programa-quadro da UE para a investigação e a inovação, e do Acelerador de Impacto Social. Será o primeiro fundo de investimento de impacto vocacionado para as empresas sociais portuguesas.

O Comissário Europeu Carlos Moedas, responsável pela Investigação, Ciência e Inovação, é citado no comunicado de Bruxelas a dizer que “estas duas iniciativas no âmbito do Plano Juncker, no valor de 190 milhões, darão às pequenas e médias empresas portuguesas o impulso de que necessitam para mostrarem os seus talentos e materializarem as suas ideias em projetos concretos. Serão disponibilizados capitais frescos para projetos inovadores de elevado valor acrescentado e para empresas sociais, dois setores fundamentais para o futuro da economia europeia. A Web Summit é provavelmente o local mais simbólico onde tais iniciativas  podem ser formalizadas”.

As assinaturas tiveram lugar na Web Summit 2018, em Lisboa, na qual o Grupo BEI patrocinou o Growth Stage e acolheu visitantes no Growth Lounge durante o evento tecnológico mais importante da Europa.

O Vice-Presidente do BEI, Ambroise Fayolle, diz que “o Grupo BEI acredita no potencial das empresas inovadoras em Portugal, pelo que nos congratulamos com o facto de o FEI se associar a estes dois fundos. Estes acordos contribuirão para reforçar o ecossistema de capitais próprios português. A vitalidade da economia europeia depende da sua capacidade de inovação e o apoio da UE continua a ser um elemento essencial”.

Já o diretor Executivo do FEI, Pier Luigi Gilibert, elogiou a assinatura dos dois novos acordos de participação no capital por ocasião da Web Summit, em Lisboa, para apoiar as empresas portuguesas. “Esta cooperação, que deverá desencadear investimentos no valor de 185 milhões de euros, contribui para a criação de emprego e para o crescimento em Portugal”, revela.

Eduardo Rocha, Diretor Executivo da Vallis Capital Partners, também diz elogia o facto de contar com o FEI “como um dos nossos principais investidores desde o início do nosso primeiro fundo, e vemo-lo agora consolidar o seu investimento no nosso segundo fundo, o Vallis Sustainable Investments II. A nossa parceria a longo prazo com o FEI foi reciprocamente bem-sucedida e permitiu à Vallis investir nas empresas portuguesas mais inovadoras e promissoras, promovendo o seu crescimento, modernizando os seus processos, alargando o seu alcance internacional, criando postos de trabalho e, em última instância, gerando valor para os investidores e para a sociedade no seu conjunto”.

Os sócios gerentes do Mustard Seed MAZE Social Entrepreneurship Fund I, António Miguel e Henry Wigan, Revelam-se “gratos pelo apoio do FEI e dos outros parceiros, que nos permitirá continuar a apoiar equipas de talento para fazerem face aos desafios mais prementes a nível mundial. Este fundo efetuará a maior parte dos investimentos em empreendimentos de impacto baseados em Portugal, com diversos tipos de financiamento disponível, desde capital de pré-lançamento até capital de série A/B, proporcionando assim aos nossos fundadores um parceiro de capital paciente e flexível enquanto dão resposta a desafios sociais e ambientais arraigados”.

O Fundo Europeu de Investimento (FEI) faz parte do grupo do Banco Europeu de Investimento. Tem por principal missão ajudar as micro, pequenas e médias empresas europeias, facilitando-lhes o acesso ao financiamento.

O FEI cria e realiza tanto operações de capital de risco como de capital de crescimento, bem como instrumentos de garantia e de microfinanciamento que visam especificamente este segmento de mercado. Desta forma, o FEI prossegue os objetivos da UE nos domínios da inovação, da investigação e desenvolvimento, do empreendedorismo, do crescimento e do emprego.

Já o InnovFin Capital Próprio faz parte do InnovFin – Financiamento da UE para Inovadores, uma geração de instrumentos financeiros e de serviços de aconselhamento da UE desenvolvidos no âmbito do Horizonte 2020, o Programa-Quadro de Investigação e Inovação (2014-2020), para ajudar as empresas inovadoras a acederem ao financiamento com mais facilidade. O «InnovFin – Financiamento da UE para Inovadores» contribuirá para injetar cerca de 50 milhões em investimentos em investigação e inovação em toda a Europa.

O InnovFin Capital Próprio fornece investimentos e coinvestimentos em capital próprio a, ou juntamente com, fundos especializados no financiamento em fase inicial de empresas que operam em setores inovadores abrangidos pelo Horizonte 2020, que se situam ou operam na UE ou nos países associados do Horizonte 2020.

O Plano de Investimento para a Europa (o Plano Juncker) centra-se principalmente na eliminação dos obstáculos ao investimento, aumentando a visibilidade dos projetos de investimento e fornecendo-lhes assistência técnica, utilizando de forma mais inteligente tanto os novos recursos financeiros como os já existentes. Em outubro de 2018, o Plano de Investimento tinha já mobilizado mais de 344 mil milhões de euros de investimento em toda a Europa, incluindo 7,3 mil milhões em Portugal, e apoiado 793.000 pequenas e médias empresas.

 

Ler mais
Recomendadas

Governo apoiou em nove mil milhões de euros o investimento empresarial nos últimos três anos

“Nesta legislatura já praticamente esgotámos os montantes disponíveis para os sistemas de incentivo ao investimento empresarial. Apoiámos nove mil milhões de euros de investimento empresarial em todo o país nestes três anos”, revelou Pedro Siza Vieira.

Marvão Pereira diz que ISP é “um imposto deliberadamente encapotado”

O economista Alfredo Marvão Pereira considera que é urgente mitigar os efeitos adversos do imposto, cujos benefícios do ponto de vista ambiental vêm com custos para a macroeconomia e justiça social.

Manso Neto: “A descarbonização não é só substituir um tipo de produção energética por outra”

O presidente da Elecpor defende que a transição energética deve assentar numa “eletrificação maciça da economia” e incentivo à eficiência energética.
Comentários