Willem de Rooij vive e trabalha em Berlim. A sua prática artística dissemina-se por diversos meios, desde filme, fotografia e escultura à instalação, sem desdenhar o texto. O espaço Lumiar Cité, em Lisboa, apresenta agora “Hut Hut”, a primeira exposição individual do artista em Portugal, com inauguração a 21 de fevereiro, que inclui uma instalação site-specific e duas obras produzidas no início da década de 1990 e raramente exibidas.
Em “Hut Hut”, de Rooij dá continuidade ao seu interesse por sistemas de exibição, práticas museológicas e políticas da representação. Ponto de partida? O estudo detalhado de dois abrigos de pastores, uma das coleções do Museu Nacional de Etnologia e outro do Museo del Pastor, em Villaralto (Espanha), uma investigação desenvolvida pelo artista durante a sua participação no Programa Internacional de Residências da Maumaus. “A sua prática aborda criticamente as histórias da arte global, a antropologia visual e a etnografia, relacionando objetos e considerando a relação entre contextos institucionais e formas de mediação contemporâneas”, lê-se em comunicado.
O impacto das obras “Rijksmuseum/Tropenmuseum” e “Hut”, ambas de 1993, reside no que é visível e no que é obscurecido: cada uma consiste num conjunto de postais parcialmente cobertos com tinta guache preta. “Utilizando o duplo como dispositivo formal e retórico, estas primeiras obras articulam preocupações centrais que viriam a definir a prática do artista”, frisa o mesmo comunicado. E quais são as suas principais preocupações? As ideologias coloniais e nacionalistas que sustentam os museus dedicados tanto à arte como à etnografia, e as questões da ética e da política presentes nas coleções e nos sistemas de exibição.
A instalação “Hut Hut”, desenvolvida especificamente para o espaço Lumiar Cité, aborda estas questões através de um estudo detalhado dos abrigos de pastor existentes nos Museu de Etnologia e Museo del Pastor. Como os frágeis abrigos permanecem nos seus locais de conservação, Willem de Rooij escolheu a via dos “empréstimos digitais” e apresenta-os agora no espaço Lumiar Cité através de transmissões em direto dos dois museus.
De Rooij recorre a câmaras de segurança para criar um diálogo em tempo real entre os objetos e os seus contextos museológicos, a arquitetura moderna do espaço expositivo e o ambiente urbano da Alta de Lisboa, onde se situa a galeria. Ao traçar paralelos com as noções contemporâneas de vigilância e proteção – a função original daquelas estruturas –, o artista holandês, e também professor na Academia de Artes Visuais Städelschule, em Frankfurt, pretende, com estas obras, abordar tanto o planeamento urbano e a institucionalização da memória cultural, como a direção do olhar etnográfico.
Willem de Rooij, “Hut Hut” | 21 FEV – 17 MAIO | Lumiar Cité, Lisboa
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
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