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XTB alerta que “deterioração mais profunda da economia europeia” pode traduzir-se num aumento do malparado

A corretora reconhece no entanto que “o setor bancário europeu atravessa uma fase de transição importante, depois de dois anos marcados por margens extraordinariamente elevadas, sustentadas por um ciclo agressivo de subida das taxas de juro, ao mesmo tempo que as imparidades de crédito não foram visíveis”.
5 Novembro 2025, 14h21

A corretora XTB desenvolveu uma análise acerca do setor bancário europeu onde defende que “o principal risco para o setor permanece ligado ao enquadramento macroeconómico, pois uma deterioração mais profunda da economia europeia poderia traduzir-se num aumento dos créditos malparados, sobretudo entre pequenas empresas e crédito ao consumo”.

A corretora reconhece no entanto que “o setor bancário europeu atravessa uma fase de transição importante, depois de dois anos marcados por margens extraordinariamente elevadas, sustentadas por um ciclo agressivo de subida das taxas de juro, ao mesmo tempo que as imparidades de crédito não foram visíveis”.

A desaceleração da inflação na Zona Euro levou o Banco Central Europeu a iniciar um movimento de cortes graduais, com o mercado a não antecipar qualquer descida até meados de 2026. Em contraste, a Reserva Federal norte-americana mantém uma postura mais cautelosa, o que tem provocado correções no par cambial Euro/USD recentemente, refletindo a divergência de políticas monetárias.

A banca foi um dos grandes beneficiários do ambiente de taxas elevadas, como demonstra o índice bolsista Stoxx Europe 600 Banks, que valorizou cerca de 122% desde 2023 até ao momento.

“No entanto, a inversão do ciclo poderá reduzir as margens financeiras, sobretudo no que diz respeito ao net interest margin, uma vez que os spreads tendem a comprimir num contexto de taxas descendentes”, constata a XTB.

A rentabilidade da banca deverá, por isso, normalizar gradualmente, após um período de resultados historicamente fortes, conclui a corretora.

“Apesar dessa pressão sobre as margens, existem efeitos positivos para o setor, nomeadamente a diminuição dos encargos financeiros de famílias e empresas pode estimular o consumo e o investimento, ao mesmo tempo que reduz o risco de incumprimento no curto prazo. Uma taxa de juro mais baixa tende também a reativar a procura por crédito”, defendem os analistas.

A XTB analisa também os movimentos de consolidação na Europa.

“A Europa tem assistido a um movimento contínuo de consolidação bancária, com fusões e aquisições a reforçar a posição dos maiores bancos, como é o caso em Espanha. Grupos como BBVA, Santander, Abanca, Bankinter e CaixaBank saíram deste processo mais robustos e com capacidade acrescida de expansão geográfica, o que tem impacto direto em Portugal, onde a presença de bancos espanhóis é significativa”, refere a análise.

“Esta dinâmica contrasta com o período de instabilidade vivido há cerca de uma década, quando o sistema bancário português atravessou uma crise profunda com casos como BES, Banif ou BPN, que acabaram por exigir intervenção pública”, sublinha a XTB.

Atualmente, o cenário é substancialmente diferente, dizem. O sistema bancário nacional apresenta níveis de capitalização, liquidez e solvabilidade bastante superiores, “com instituições como o BCP a mostrarem métricas operacionais sólidas”, destaca a XTB.

A integração de Portugal num sistema financeiro europeu mais consolidado e bem capitalizado, reduziu de forma relevante o risco sistémico, podendo afastar a necessidade de futuras intervenções do Estado, defende a análise.

“Em suma, Portugal está a recolher os benefícios de um setor bancário mais estável, mais integrado e menos vulnerável, tanto por evolução interna como pela solidez crescente dos maiores grupos ibéricos e europeus”, conclui a corretora.


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