A Intrum Justitia, consultora europeia de serviços de gestão de crédito e cobranças, acaba de lançar o seu “Relatório Europeu de Pagamentos 2017”, onde conclui que o Estado português demora 95 dias a regularizar as suas dívidas, o que lhe garante o segundo lugar entre os 29 países abrangidos por este estudo, ex-aequo com a Itália. Apenas a Grécia, com um total de 103 dias a distar entre o recebimento da fatura e a sua regularização, demora mais do que Portugal.
Os dados publicados no relatório da Intrum Justitia apontam que o tempo médio de pagamento do Estado Português aos seus credores é quase o dobro da média de prazos inicialmente contratados, que se cifra em 49 dias, um valor 10 dias inferior ao que indicava o relatório desta consultora referente a 2016. Contrariamente à descida média dos prazos contratados, o tempo médio de pagamento aumentou em 19 dias face a 2016.
Além de colocar o Estado luso no segundo lugar dos mais lentos a pagar, o “Relatório Europeu de Pagamentos 2017” da Intrum Justitia coloca o país no topo da lista do Índice de Risco de Pagamentos, à frente de Irlanda, Itália e Grécia. O resultado de -1,08 neste índice é também superior ao registado em 2016, -0,86.
Cerca de 58% das empresas portuguesas ouvidas neste estudo indicam ainda que os atrasos no pagamento de faturas (tanto do Estado como de outras empresas) têm com principal consequência o impedimento do crescimento da sua empresa, ainda que 43% diga que conseguir pagamentos mais céleres não iria levar a mais contratações.
Apesar de acharem prejudicial, e segundo os dados da Intrum Justitia, 76% das empresas lusas declaram concordar com prazos de pagamentos mais longos do que a média europeia (58%). Entre as várias causas apontadas como responsáveis pelos atrasos, a debilidade económica das empresas é apontada por 82% das empresas inquiridas, seguindo-se o atraso voluntário, mencionado por 62% das empresas e a pouca eficiência administrativa, referida por 49% dos inquiridos.
O “Relatório Europeu de Pagamentos 2017” baseia-se num inquérito realizado em 29 países europeus, entre 1 de fevereiro e 29 de março de 2017, que engloba um total de 10.468 empresas, com o intuito de oferecer uma visão geral dos riscos de pagamento e vulnerabilidade dos mercados e das empresas.
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