Especialistas militares e de segurança dos Estados Unidos afirmaram, no âmbito de um estudo da Fundação Justiça Ambiental (EJF), que o número de refugiados que tentam escapar das consequências de situações extremas motivadas pelas alterações climatéricas serão em muito maior número que aqueles que tentam escapar da guerra na Síria.
“Se a Europa acha que tem um problema com a imigração hoje… espere 20 anos”, disse o general Stephen Cheney, do exército dos Estados Unidos, citado pelo jornal britânico The Guardian. “Verão o que acontece quando as mudanças climáticas afastarem as pessoas da África – especialmente o Sahel [área sub-saariana] – e estamos a falar não apenas um ou dois milhões, mas de 10 ou 20 milhões. Eles não vão para a África do Sul, estão a atravessar o Mediterrâneo”, disse ainda.
O estudo, publicado na quinta-feira, pede aos governos que acordem um novo quadro legal para proteger os refugiados do clima e, antes da cimeira do clima da próxima semana na Alemanha, exorta os líderes a fazerem mais para implementar os objetivos estabelecidos no acordo climatérico de Paris – que, recorde-se, foi denunciado pelos Estados Unidos.
Também citado pelo The Guardian, David King, ex-conselheiro científico do governo do Reino Unido, disse, no âmbito do mesmo estudo, que “do que estamos a falar é de uma ameaça existencial para a nossa civilização a longo prazo. No curto prazo, essa ameaça carrega todos os tipos de risco e exige uma resposta humana a uma escala que nunca foi vista antes”.
“As alterações climáticas são o ingrediente imprevisível que, quando somado às tensões sociais, económicas e políticas existentes, tem o potencial de inflamar a violência e entrar em conflito com consequências desastrosas”, disse o diretor-executivo da EJF, Steve Trent. E acrescentou: “O seu potencial para desencadear conflitos violentos e imigração em massa precisa de ser considerado como uma prioridade urgente para políticos e líderes empresariais”.
Para Steve Trent, apesar de tudo ainda não é tarde demais: “Ao tomar medidas ambiciosas para eliminar as emissões de gases com efeito estufa e construir um mecanismo jurídico internacional para proteger os refugiados do clima, protegeremos os mais pobres e vulneráveis, criamos resiliência, colheremos benefícios económicos maciços e construiremos um futuro seguro para o planeta”. Mas alertou: “Para os refugiados do clima, amanhã é tarde demais”.
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