Novembro de 2023 ficará para sempre gravado na memória dos portugueses.
Quando nada o fazia prever, uma acção judicial levou à demissão do Primeiro-Ministro, desencadeando uma situação única no nosso meio século de democracia. Situação que, sendo de uma violência telúrica para António Costa, não o fez, em nenhum momento, precipitar-se.
Conhecidos os factos, tomou a decisão que todos dele esperávamos que tomasse em tais circunstâncias. Esta foi uma fase da sua vida que terminou. Uma fase, não a vida.
Pela nossa tradição política e pelo imperativo democrático de todos cumprirem o afirmado, só há um caminho, o de convocar eleições legislativas.
Caminho absolutamente evidente para o cidadão comum e que apenas uma certa “bolha” questiona, por meras razões tácticas. Uma certa elite de direita porque entende que a actual liderança do PSD não tem a foça necessária para federar a direita e, assim, vencer as eleições. Alguns, mais à esquerda, porque descortinam o seu próprio e salvífico momento. Uns e outros ungidos pelos óleos sagrados inacessíveis ao comum dos cidadãos.
Acontece que verdadeiramente o que a actual situação exige é:
- Que o Presidente da República (i) devolva a palavra ao povo; (ii) assegure, com a sua decisão, o tempo necessário para que o PS escolha o seu líder e aprove a sua proposta programática de governo;
- Que o Partido Socialista, nos termos estatutários, eleja o seu novo líder.
Aqui chegados, o PS é, mais uma vez, confrontado com a sua responsabilidade histórica. A responsabilidade de dar a Portugal uma solução de governo que seja capaz de continuar a construir uma sociedade mais justa, que olhe pelos mais desfavorecidos e que, com moderação e equilíbrio, contribua para a coesão nacional. Conhecedor do país e que possa mobilizar os autarcas nesse desígnio essencial de colocar os recursos ao serviço das pessoas e das regiões.
Uma solução que preserve a autonomia ideológica e estratégica do Partido Socialista, capaz de liderar a esquerda, unindo o Partido e capaz de continuar a construir um Estado estratega/regulador e não um Estado interventor.
O Partido Socialista pode, para estes desafios, contar com destacados militantes, mas deve, pela sua experiência pessoal e política, conhecimento dos portugueses e do país, e pelas provas dadas na governação escolher o Dr. José Luís Carneiro.
Será o rejuvenescimento e a continuidade que conduzirão o PS a liderar, na próxima década, a modernização de Portugal. Com eleições. Porque o povo tem sempre razão. E só ele a tem.
Luis Parreirão, Militante 9751 do Partido Socialista