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Todos os membros do Conselho do BCE concordaram em reduzir as taxas em janeiro

Os membros do Conselho do BCE alegaram que a inflação é baixa e o crescimento é fraco.
27 Fevereiro 2025, 16h37

Todos os membros do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) concordaram, no final de janeiro, em reduzir em um quarto de ponto as taxas de juro na zona euro, segundo as atas da reunião hoje publicadas.

Os membros do Conselho do BCE alegaram que a inflação é baixa e o crescimento é fraco.

Na reunião do final do mês passado, o BCE reduziu a taxa de depósito, que remunera os depósitos à ordem dos bancos, em um quarto de ponto, para 2,75% e a taxa de juro principal, à qual empresta dinheiro aos bancos durante uma semana, em 25 pontos base, para 2,90%.

O Conselho do BCE considera “prematuro” começar a discutir a zona em que as suas taxas de juro vão estabilizar e sublinha que a taxa de depósito continua a ser restritiva, ou seja, limita o crescimento económico.

O BCE espera que a taxa de juro natural ou neutra, que não restringe nem estimula o crescimento, seja mais elevada do que antes da pandemia, porque o equilíbrio entre a procura agregada e a poupança se alterou nos últimos anos, devido à necessidade de investimento com a transição ecológica e digital, ao aumento da dívida pública e à fragmentação política, que reduz a poupança.

Se a redução das taxas de juro tivesse sido mais elevada no final de janeiro, as mesmas estariam mais próximas da taxa de juro natural, de acordo com o BCE.

Vários membros do Conselho de Governadores do BCE fizeram recentemente declarações díspares sobre as próximas alterações às taxas de juro.

A economista alemã Isabel Schnabel disse ao Financial Times do Reino Unido que o BCE deveria começar a pensar em suspender os cortes nas taxas de juro, apesar de os mercados esperarem que volte a reduzir as taxas na próxima semana e depois.

No entanto, o governador do Banco Nacional da Bélgica, Pierre Wunsch, disse numa entrevista ao Wall Street Journal que o BCE ainda precisa de baixar as suas taxas de juro para um nível expansionista que estimule o crescimento económico, se a atividade económica na região continuar fraca e a inflação arrefecer.

“Quando olho para as expectativas do mercado, não fico surpreendido”, acrescentou Wunsch na entrevista.

O Conselho do BCE observa que o processo de desinflação prossegue porque a inflação está a abrandar, mas ainda não atingiu o objetivo de 2% e permanecerá acima desse nível a curto prazo.

Por conseguinte, há que ser cauteloso, pois existe muita incerteza neste momento, uma vez que os preços da energia e dos produtos alimentares podem aumentar, o mercado de trabalho é forte, os salários estão a subir e os preços dos serviços estão a aumentar teimosamente.

Por conseguinte, a inflação pode demorar mais tempo a atingir o objetivo de 2%.

Além disso, a atual incerteza geopolítica e a aversão ao risco conduzem frequentemente à valorização do dólar e podem desencadear o aumento dos preços da energia e da inflação.

O crescimento económico mundial poderá abrandar devido à incerteza resultante das tensões geopolíticas, às preocupações com a política orçamental na zona euro e às tensões comerciais decorrentes das tarifas impostas pelos EUA.

O BCE considera que “a dinâmica da inflação dos serviços abrandou nos últimos meses” e espera que as pressões salariais continuem a abrandar, especialmente no segundo semestre de 2025.

Os preços do petróleo e do gás foram mais elevados do que as projeções macroeconómicas do BCE publicadas em dezembro, pelo que devem ser acompanhados de perto.

O BCE considera que as perspetivas para os preços da energia e dos produtos alimentares, a apreciação do dólar e os aumentos dos preços dos serviços apresentam riscos ascendentes para a inflação.

Mas também considera que existe o risco de a inflação ser inferior ao previsto se o crescimento da zona euro for inferior ao esperado.

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