Uma gota de água no oceano ou um grão de areia na praia. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) apoiou dois projetos da Galp em Sines com apenas 3% do investimento necessário: 20 milhões de um investimento total previsto de 650 milhões de euros.
Os dois projetos visam a produção de hidrogénio verde, para substituir parte da atual versão cinzenta, e a produção de biocombustíveis para a aviação e para o transporte rodoviário.
Quando estiverem prontos, a partir de meados de 2026, vão contribuir para retirar 700 mil carros da estrada por ano, isto é, ajudam a eliminar o equivalente à poluição causada por estes veículos, mais de 900 mil toneladas equivalentes de CO2.
“Olhem para os países vizinhos e os apoios que têm”, disse o administrador da empresa Ronald Doesburg na terça-feira durante uma visita de jornalistas à refinaria da Sines.
“É preciso encontrar o balanço entre segurança [energética], competitividade e a transição energética. Precisamos de tomar decisões de uma perspetiva portuguesa. Se olharmos para alguns dos países e os diferentes incentivos para o desenvolvimento, e para o que está a acontecer fora da Europa, isso deveria ser simplificado se queremos formar um bloco [europeu] contra alguma da situação americana e se queremos continuar a ter importância” global, acrescentou o gestor.
Ainda recentemente, a companhia veio a público exigir mais apoio público na energia e na indústria. “Exige-se mais das empresas de energia, mas também de incentivos públicos e apoio governamental se queremos que Portugal mantenha a sua relevância no mundo cada vez mais instável em que vivemos”, disse Ronald Doesburg em comunicado a 27 de fevereiro, por ocasião da assinatura do financiamento de 430 milhões de euros por parte do Banco Europeu de Investimento (BEI) ao projeto.
A unidade de produção de hidrogénio verde representa um investimento de 250 milhões e vai ser financiada em 180 milhões pelo BEI para produzir até 15 mil toneladas de hidrogénio verde por ano, “tornando-se uma das primeiras infraestruturas desta escala a operar na Europa”.
Já a unidade de biocombustíveis, que já se encontra em construção e está a ser desenvolvida em parceria com a japonesa Mitsui, representa um investimento total de 400 milhões de euros, com 250 milhões financiados pelo BEI. “Esta unidade irá transformar óleos vegetais e gorduras residuais em combustível sustentável para aviação (SAF) e em gasóleo renovável de origem biológica (HVO), com características idênticas aos combustíveis de origem fóssil utilizados nos motores de combustão”, explica a empresa.
Por ano, vai produzir até 270 mil toneladas de combustíveis renováveis, o suficiente para que a partir de 2026 “Portugal possa assegurar com produção nacional o cumprimento do mandato de incorporação deste tipo de combustíveis na aviação. Os SAF são essenciais para que o transporte aéreo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito de estufa, inicie a sua descarbonização”.
Trump? Galp diz estar tranquila com EUA, o seu principal mercado exportador de gasolina
A Galp garantiu na terça-feira que está tranquila com a eventualidade de Donald Trump vir a impor tarifas sobre produtos petrolíferos europeus.
Os EUA pesam entre 60% a 75% das exportações de gasolina da empresa, entre 1,2 a 1,5 milhões de toneladas do total de 2 milhões de toneladas de gasolina vendida por ano, segundo dados avançados pela diretora da refinaria da Galp, Cristina Cachola.
Mas a companhia diz ter “flexibilidade” nos mercados, isto é vender a gasolina noutros países, caso venha a ser imposto algum tipo de tarifa sobre estes produtos.
A garantia foi dada esta terça-feira pelo administrador da empresa, Ronald Doesburg.
O responsável também disse que o mercado dos EUA é bastante competitivo e que a imposição de tarifas não implica necessariamente procurar alternativas.
Galp vai investir 200 milhões na refinaria de Sines este ano
A Galp vai investir 200 milhões de euros na refinaria de Sines este ano, anunciou a empresa.
A petrolífera vai realizar trabalhos de manutenção e também desenvolver projetos de eficiência energética.
“Em 2025, vamos investir mais de 200 milhões na manutenção da refinaria e em eficiência energética”, disse a diretora da refinaria Cristina Cachola na terça-feira.
A responsável disse que estes gastos fazem parte da “gestão normal da refinaria” e que os trabalhos de manutenção pesam “dois terços nos custos da refinaria”.
“Trata-se de manutenção corrente, todos os anos temos de investir para manter a integridade e a disponibilidade da refinaria a funcionar”, acrescentou Cristina Cachola durante uma visita de jornalistas ao complexo industrial na cidade portuária do distrito de Setúbal.
Na fábrica 1 da refinaria, vai haver no final deste ano uma paragem de 50 dias para manutenção, afirmou. “De forma cíclica, fazemos grandes paragens para manutenção. Investimos na integridade dos ativos”.
Já os projetos de eficiência energética são para introduzir “competitividade em termos de custos de redução de energia”.
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